Moraes solta desembargador, mas caso TH Joias está longe do fim

Macário Júdice deixou a prisão preventiva sob tornozeleira e sem passaporte. A investigação aponta vazamento de dados da PF; a defesa nega e promete demonstrar sua inocência.
Moraes solta desembargador, mas caso TH Joias está longe do fim

Moraes solta desembargador, mas caso TH Joias está longe do fim
Alexandre de Moraes substituiu a prisão preventiva do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto por medidas cautelares. Ele deverá usar tornozeleira eletrônica e entregar o passaporte, mas continuará respondendo à investigação sobre o suposto vazamento de uma operação da Polícia Federal contra o ex-deputado estadual TH Joias.

A decisão muda a situação de Macário, não o rumo do processo. Segundo a investigação, o desembargador teria antecipado detalhes sigilosos da ação policial a Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Bacellar, por sua vez, teria alertado TH Joias, investigado por supostas ligações com o Comando Vermelho. Bacellar seguirá preso preventivamente, embora Moraes tenha autorizado sua transferência do presídio federal de Mossoró para uma unidade no Rio; TH Joias também permanece detido.

A defesa apresenta uma leitura oposta. Os advogados negam que Macário tenha participado do vazamento e contestam a suspeita de um encontro com Bacellar em uma churrascaria no Aterro do Flamengo, em setembro de 2025. Dados de antenas de telefonia solicitados pela própria PF indicariam, segundo eles, que os dois não estiveram juntos naquela data. A versão defensiva é que Macário jantava com amigos no Leblon.

Para o advogado Patrick Berriel, a soltura confirma a tese de que a prisão era excessiva: “Desde o início, a defesa entendia que a prisão era desnecessária, que medidas cautelares eram suficientes”. Ele acrescentou que pretende “provar a inocência do desembargador” durante a instrução.

As coberturas associadas tanto ao campo pró-governo quanto à oposição convergem nos fatos centrais: liberdade vigiada para Macário, manutenção das demais prisões e continuidade da apuração. O contraste decisivo está entre investigadores, que descrevem uma cadeia de alertas sobre a operação, e a defesa, que questiona as provas e nega o encontro apontado. A soltura, portanto, não equivale a absolvição — apenas reduz a restrição imposta enquanto o caso avança.

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