Flávio diz que fará oposição dos EUA, mas ações miram salário e mandato

A saída do senador para os Estados Unidos abriu uma disputa sobre o uso de recursos públicos. Enquanto ações apontam abandono de funções, Flávio Bolsonaro afirma que continuará atuando politicamente do exterior.
Flávio diz que fará oposição dos EUA, mas ações miram salário e mandato

Flávio diz que fará oposição dos EUA, mas ações miram salário e mandato
A ofensiva contra a remuneração de Flávio Bolsonaro avança por caminhos diferentes, mas parte da mesma dúvida: é possível manter salário, auxílios e estrutura de gabinete enquanto o senador permanece nos Estados Unidos?

Na Justiça Federal do Rio, uma ação popular pede a suspensão imediata do subsídio parlamentar, da verba de gabinete, do auxílio-moradia e da cota para atividade parlamentar. Os autores alegam que a ausência compromete as atribuições legislativas e pode representar prejuízo ao erário. Também sustentam que financiar a estrutura enquanto Flávio desenvolve atividades políticas no exterior configuraria “desvio de finalidade na utilização dos recursos públicos”. Ainda não há decisão judicial sobre o pedido.

A pressão política vai além da ação. Deputados solicitaram ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a análise da situação funcional e de uma eventual perda do mandato. A leitura mais dura trata a viagem como sinal de abandono, mas as próprias regras da Casa impõem limites: faltas injustificadas podem gerar descontos proporcionais no salário, enquanto a cassação por ausência exige que o parlamentar deixe de comparecer a um terço das sessões ordinárias em um ano. Com poucas semanas restantes antes do recesso, não haveria tempo para alcançar esse patamar.

Os advogados, por sua vez, afirmam que o mandato não deve ser medido apenas pela presença física diária. Argumentam, porém, que a saída do país, a ausência na primeira sessão após a eleição e as declarações sobre atuação no exterior justificam apuração e medidas preventivas. A ação também pede que o Senado informe oficialmente a situação funcional do parlamentar e prevê eventual ressarcimento de pagamentos considerados irregulares.

Flávio apresenta a interpretação oposta. Diz que a viagem foi uma decisão pessoal, não uma fuga, e que pretende liderar a oposição a partir do exterior. Para o senador, a mudança de país não significa abandonar a política brasileira, mas continuar sua atuação diante de medidas judiciais que classifica como perseguição. O choque, agora, é entre essa promessa de atuação remota e a cobrança para que recursos públicos correspondam ao exercício efetivo do mandato.

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