Pró-governo diz que força-tarefa dará resposta rápida a ameaças contra indígenas em MS

O governo federal promete proteção e responsabilização após ameaças contra comunidades indígenas. Servidores municipais foram afastados, mas as autoridades ainda não encontraram sinais de envenenamento da água.
Pró-governo diz que força-tarefa dará resposta rápida a ameaças contra indígenas em MS

Pró-governo diz que força-tarefa dará resposta rápida a ameaças contra indígenas em MS
A visita de ministros federais a aldeias de Mato Grosso do Sul expôs duas dimensões do mesmo caso: de um lado, o governo promete reação rápida e proteção duradoura; de outro, as comunidades indígenas aguardam resultados diante de ameaças que já alteraram sua rotina.

Em Coronel Sapucaia, a comitiva ouviu lideranças e anunciou uma força-tarefa envolvendo os ministérios dos Direitos Humanos, dos Povos Indígenas e da Igualdade Racial. Polícia Federal e Ministério Público Federal também abriram investigações. A ministra Janine Mello buscou afastar a ideia de uma agenda apenas simbólica: “Mais do que promessa, mais do que foto, mais do que conversa, a gente precisa trazer entregas”. Sônia Guajajara, por sua vez, afirmou que mais de 100 episódios de ameaças e racismo foram registrados em Mato Grosso do Sul, São Paulo e outras regiões.

O discurso oficial enfatiza rapidez e responsabilização. Eloy Terena sustentou que estados e municípios também precisam assumir deveres na proteção dos povos indígenas. Já a realidade local impõe cautela: a ameaça mais grave veio de áudios atribuídos a dois servidores da Prefeitura de Tacuru, nos quais se sugeria contaminar a água consumida na aldeia Sassoró. Ambos foram afastados e respondem a processos administrativos.

A preocupação é concreta porque cerca de 98% das casas de Sassoró recebem água encanada de poços artesianos. Ainda assim, há uma diferença essencial entre ameaça e fato consumado: até agora, não foram encontrados indícios de envenenamento. A visita a Sassoró e à aldeia Taquaperi — onde vivem mais de 3,3 mil indígenas Guarani Kaiowá — ocorreu por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto a Força Nacional mantém atuação nos territórios.

A mobilização, portanto, já produziu investigações e afastamentos. O teste decisivo será transformar presença federal em segurança permanente — exatamente a distância que separa a promessa oficial da proteção cobrada pelas comunidades.

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