Kassab abre a porta para Lula, mas cobra um preço para aproximar o PSD

O PSD admite aprofundar a relação com o quarto governo Lula, desde que o Planalto dialogue com o centro e sinalize responsabilidade fiscal. A legenda preserva autonomia e mantém aberta até a possibilidade de ocupar ministérios.
Kassab abre a porta para Lula, mas cobra um preço para aproximar o PSD

Kassab abre a porta para Lula, mas cobra um preço para aproximar o PSD
Gilberto Kassab não fechou a porta para Luiz Inácio Lula da Silva — mas deixou claro que a aproximação do PSD terá condições. Para o presidente da legenda, o quarto governo petista precisará ampliar o diálogo com o centro e transmitir confiança na condução das contas públicas. “Se medidas econômicas forem adotadas, estaremos mais próximos, sim. Aí poderemos ter uma relação mais profunda”, afirmou.

Vista pelo campo governista, a declaração oferece a Lula uma rota para ampliar sua sustentação no Congresso. Kassab confirmou que a articulação já começou — “O governo já nos procurou desta vez, sim” — e defendeu que compromissos sociais sejam preservados, desde que acompanhados por estabilidade econômica. O PSD, que ocupou três ministérios no mandato anterior sem se declarar formalmente integrante da base, pode voltar a funcionar como ponte entre o Planalto e setores de centro.

A leitura mais cautelosa, porém, destaca o preço político desse entendimento. Kassab cobra uma equipe econômica capaz de produzir “tranquilidade e equilíbrio fiscal” e cita Antonio Palocci e Henrique Meirelles, figuras do primeiro governo Lula, como referências. Ao mesmo tempo, a legenda não fechou questão sobre uma adesão formal e pretende liberar seus filiados para aceitar eventuais convites do Executivo.

Nem o próprio Kassab descarta completamente um retorno ao ministério, embora diga que isso não está em seus planos imediatos. A ambiguidade resume a estratégia do PSD: cooperar sem entregar toda a autonomia.

O dirigente também atribuiu a vitória de Lula à escolha de Flávio Bolsonaro pela direita, que teria dividido o centro e perdido apoio durante a campanha. Assim, a mesma faixa do eleitorado que ajudou a decidir a eleição volta ao centro da disputa — agora não pelas urnas, mas pela governabilidade.

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