Oposição diz que chanceler argentino desmentiu governo Lula sobre Flávio

Brasília afirma ter cobrado esclarecimentos sobre a passagem de Flávio Bolsonaro pela Argentina, mas Buenos Aires nega o contato e sustenta que o senador cumpriu as regras migratórias.
Oposição diz que chanceler argentino desmentiu governo Lula sobre Flávio

Oposição diz que chanceler argentino desmentiu governo Lula sobre Flávio
Uma troca pública de versões abriu novo atrito entre Brasília e Buenos Aires. De um lado, o governo Lula afirma ter procurado a representação diplomática argentina para cobrar explicações sobre a passagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo país. Do outro, o chanceler argentino Pablo Quirno foi categórico: “Falso. Não houve nenhum pedido de explicações”. Segundo a versão brasileira, a conversa teria ocorrido com Emilia Cortés, encarregada de negócios da Embaixada da Argentina.

A divergência diplomática, porém, é apenas uma parte da controvérsia. Reportagem do jornal argentino Clarín, reproduzida por uma das fontes, atribuiu a Santiago Caputo, principal assessor do presidente Javier Milei, a coordenação de uma operação sigilosa para facilitar a saída do senador e de sua família. A articulação teria envolvido agentes argentinos e um avião particular que aguardava em Puerto Iguazú. O governo Milei não confirmou essa narrativa.

Em contraste, autoridades argentinas apresentam o episódio como um procedimento migratório regular. O chefe de gabinete, Diego Santilli, afirmou que Flávio entrou com a documentação válida e deixou o país nas mesmas condições. “Entrou pela imigração, não tinha nenhum impedimento, não havia impedimento da Interpol”, declarou. A Direção Nacional de Migrações informou que o senador e seus familiares cruzaram a Ponte Internacional Tancredo Neves às 22h50 e embarcaram, 40 minutos depois, em um voo privado com destino ao Equador.

As versões convergem apenas sobre o trajeto: Flávio passou pela Argentina antes de seguir viagem. O ponto de ruptura é político e diplomático — Brasília diz que cobrou respostas, Quirno nega ter recebido qualquer pedido, e Buenos Aires sustenta que não havia restrição migratória que impedisse a partida.

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