Oposição diz que saques de R$ 15,6 milhões expõem esquema no comando do TCE-MT

A PF atribui ao presidente do TCE-MT o comando de uma estrutura de propinas e conversão de recursos em dinheiro vivo. O tribunal promete serenidade, enquanto a defesa ainda não apresentou sua versão.
Oposição diz que saques de R$ 15,6 milhões expõem esquema no comando do TCE-MT

Oposição diz que saques de R$ 15,6 milhões expõem esquema no comando do TCE-MT
A Polícia Federal colocou os números no centro da Operação Tomada de Contas. Segundo o relatório, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Sérgio Ricardo de Almeida, realizou 150 saques em espécie entre janeiro e outubro de 2025, totalizando R$ 15,6 milhões. No mesmo período, os investigadores classificaram como suspeitas movimentações de R$ 75,8 milhões e apontaram pagamentos de R$ 15,44 milhões ao conselheiro — embora apenas R$ 288,5 mil tenham sido oficialmente publicados.

Para a PF, não se trata apenas de uma sequência de retiradas bancárias. Almeida seria o chefe de uma estrutura de operadores destinada à “conversão, em dinheiro vivo, de valores retirados dos cofres da instituição”. A investigação sustenta que empresas contratadas pelo tribunal eram favorecidas em troca de propina e que o poder de suspender contratos ou bloquear pagamentos teria sido usado para pressionar fornecedores. O Ministério Público Federal também apontou risco de continuidade dos supostos crimes e de interferência na produção de provas.

O TCE-MT, por sua vez, evitou rebater os detalhes da apuração. Em nota, afirmou que “seguirá atuando com responsabilidade e serenidade, em observância à legalidade e ao cumprimento de sua missão constitucional de controle externo”. A defesa de Almeida foi procurada, mas não havia respondido até a publicação da reportagem citada. As acusações seguem sob investigação e não representam condenação.

Há ainda uma versão incomum sobre a origem do caso: uma reportagem afirma que a apuração teria começado com denúncia anônima, supostamente apresentada pela esposa de um conselheiro após descobrir que uma mulher apontada como amante trabalhava no gabinete dele. Essa narrativa não foi oficialmente confirmada. A operação, autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça, também afastou cautelarmente outros conselheiros e apreendeu dinheiro, relógios, vinhos e veículos de luxo.

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