Rubio nega operação dos EUA, mas relatos sobre jatos e agentes ampliam a pressão

Washington diz que apenas autorizou a entrada de Flávio Bolsonaro. Reportagens apontam uma complexa operação internacional, enquanto parlamentares americanos cobram respostas.
Rubio nega operação dos EUA, mas relatos sobre jatos e agentes ampliam a pressão

Rubio nega operação dos EUA, mas relatos sobre jatos e agentes ampliam a pressão
O secretário de Estado Marco Rubio traçou uma linha clara entre receber Flávio Bolsonaro e ajudá-lo a deixar o Brasil. “Nós não facilitamos nada”, afirmou, acrescentando que o governo americano não participou “diretamente” dos preparativos da viagem. Ao mesmo tempo, confirmou que Donald Trump decidiu permitir a entrada do senador, que já possuía visto.

A negativa ganhou destaque entre apoiadores de Flávio. Rodrigo Constantino compartilhou no X uma publicação que resumia o episódio: “Marco Rubio nega que o governo dos EUA ajudou Flavio Bolsonaro a deixar o Brasil.” Mas a escolha cuidadosa da palavra “diretamente” deixou espaço para dúvidas sobre a atuação de aliados ou intermediários.

Do outro lado está o relato do jornal argentino Clarín. Segundo a publicação, representantes americanos teriam coordenado procedimentos no aeroporto de Porto Iguaçu, afastado funcionários locais e usado pelo menos três aeronaves, além de veículos e rotas alternativas, para garantir a partida da família.

Jornais americanos acrescentaram outro elemento: Jason Miller, assessor de comunicação de Trump e funcionário especial do governo, teria ajudado a providenciar o jato que transportou Flávio da Argentina à Flórida. Procurado, Miller não comentou. A versão não comprova, por si só, uma operação oficial, mas tensiona a separação apresentada por Rubio entre governo e aliados presidenciais.

A entrada ocorreu por meio de parole, autorização temporária que não equivale a asilo ou residência permanente. Ainda assim, 25 deputados democratas pediram explicações sobre eventual uso de recursos diplomáticos e migratórios e sobre o conhecimento de Washington a respeito das medidas judiciais brasileiras.

Flávio sustenta que saiu para evitar “censura” e “perseguição” e afirma continuar articulando politicamente do exterior. A Polícia Federal apura a logística da viagem; segundo o relato disponível, ele não é considerado foragido, pois não havia ordem de prisão ou condenação contra ele. O ponto central permanece aberto: houve apenas autorização de entrada ou uma rede política ajudou a tornar a saída possível?

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