Pró-governo diz que Força Nacional ficará em aldeias após ameaças de envenenamento

Brasília mantém 145 agentes em comunidades Guarani-Kaiowá e promete apuração rigorosa. Os servidores que gravaram os áudios alegam embriaguez e negam intenção de executar as ameaças.
Pró-governo diz que Força Nacional ficará em aldeias após ameaças de envenenamento

Pró-governo diz que Força Nacional ficará em aldeias após ameaças de envenenamento
A resposta federal combina presença policial e investigação. A Força Nacional manterá, por tempo indeterminado, 145 agentes nas aldeias Sassoró, Taquaperi e Limão Verde. Já a Secretaria de Segurança de Mato Grosso do Sul afirma que não procede a informação de genocídio no estado e diz que suas forças atuam quando acionadas para prevenir conflitos.

Para Brasília, porém, a gravidade das denúncias exige uma reação que vá além de uma visita oficial. “Mais do que promessa, mais do que foto, mais do que conversa, a gente precisa trazer entregas”, afirmou a ministra dos Direitos Humanos, Janine Mello. Sônia Guajajara disse que foram registrados mais de 100 casos de ameaças e manifestações racistas contra indígenas em Mato Grosso do Sul, São Paulo e outras regiões.

No centro da crise estão gravações atribuídas a dois servidores municipais de Tacuru. Em uma delas, um funcionário declara: “Tem que por veneno na água, tem que matar essas pragas na água”. Os dois foram afastados e respondem a processos administrativos, além da investigação da Polícia Federal.

A versão dos investigados contrasta frontalmente com o temor nas comunidades. Eles admitiram ter gravado os áudios, mas alegaram embriaguez, disseram não possuir meios para concretizar as ameaças e classificaram as declarações como uma “brincadeira” e uma “besteira dita”. A PF, contudo, rejeita encerrar o caso apenas com essa explicação: “Nós estamos investigando e vamos concluir a investigação mostrando todos os elementos que colhermos”.

Até agora, não foram encontrados indícios de contaminação da água. Ainda assim, a ameaça ganhou peso porque cerca de 98% das casas da aldeia Sassoró recebem água encanada de poços artesianos. Para o governo, a ausência de envenenamento comprovado não elimina a necessidade de proteção nem a possível responsabilização pelos áudios.

https://resumosbrasil.com/stories/01a1944e-d877-063f-73a0-19372c00deea

Write a comment