Solano Ribeiro morre aos 87 e deixa um alerta incômodo sobre o futuro da MPB
Solano Ribeiro morre aos 87 e deixa um alerta incômodo sobre o futuro da MPB
Solano Ribeiro de Faria morreu na madrugada de sábado (31), aos 87 anos, em São Paulo, após enfrentar o câncer em três ocasiões. Produtor, crítico musical e figura decisiva nos festivais televisionados, ele ajudou a projetar nomes como Elis Regina, Chico Buarque, Edu Lobo, Geraldo Vandré, Jair Rodrigues e Martinho da Vila.
As diferentes coberturas concordam sobre o tamanho do legado, mas escolhem ângulos distintos. De um lado, prevalece o retrato do articulador que transformou canções inéditas em acontecimentos de massa. De outro, ganha força a imagem de um profissional que continuou procurando novos talentos: desde 2006, Ribeiro apresentava na Rádio Cultura Brasil um programa semanal dedicado à renovação da música brasileira.
Sua trajetória ajuda a explicar essa dupla dimensão. No Festival Nacional da Música Popular Brasileira de 1965, produzido na TV Excelsior, Elis Regina consagrou “Arrastão”. Na Record, Ribeiro esteve por trás do empate histórico de 1966 entre “A Banda” e “Disparada” e, no ano seguinte, incentivou a presença de guitarras elétricas apesar da resistência dos puristas.
O contraste mais agudo aparece entre a celebração do passado e a inquietação com o presente. Em entrevista de 2025, Ribeiro afirmou que havia centenas de músicos e compositores sem “a exposição necessária como no tempo dos festivais”. Seu diagnóstico foi direto: “A MPB está morrendo”.
Já a Rádio Cultura preferiu enfatizar sua confiança persistente nos artistas, definindo-o como “um profissional dedicado e um brasileiro que acreditava no artista e na música brasileira”. A emissora afirmou ainda ter perdido um profissional “insubstituível”. Entre o alerta e a esperança, permanece a marca de quem não apenas revelou uma geração, mas passou a vida procurando a próxima.
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