A Geração Z tomou as ruas da Alemanha — mas esperança e revolta dividem os protestos

Dezenas de milhares de jovens protestaram contra gastos militares, serviços precários e um futuro incerto. Enquanto alguns veem pequenas vitórias, outros descrevem uma mobilização já marcada pela desesperança.
A Geração Z tomou as ruas da Alemanha — mas esperança e revolta dividem os protestos

A Geração Z tomou as ruas da Alemanha — mas esperança e revolta dividem os protestos
Os protestos da Geração Z espalharam-se por mais de 30 cidades alemãs, reunindo dezenas de milhares de pessoas contra o custo de vida, os cortes sociais e a deterioração dos serviços públicos. A iniciativa Gen Z Regelt estimou entre 69 mil e 100 mil participantes nas 12 cidades onde organizou atos; em Berlim, a polícia contou cerca de 5 mil manifestantes no Portão de Brandemburgo.

A insatisfação é compartilhada, mas as prioridades variam. Louisa Hotzelmann, de 25 anos, contrapôs o investimento militar às carências sociais: “Eles estão gastando dinheiro com as Forças Armadas, mas não com educação nem com saúde.” Para ela, a Alemanha perdeu parte de sua tradição de mobilização e deveria recuperar a energia vista nos protestos franceses.

Outros participantes enxergam uma crise ainda mais profunda. Max, estudante de ciências sociais, definiu a mobilização como “quase um protesto sem esperança”. Linus, estudante de matemática, levou ao ato o medo de perder espaço no mercado de trabalho para a inteligência artificial: “O sistema está quebrado.”

Em contraste, dois estudantes com bandeiras brasileiras apostavam nas recentes mudanças eleitorais como combustível para continuar. “Temos que viver das pequenas vitórias”, afirmou Érico Karman.

A maior parte dos atos transcorreu sem grandes incidentes, mas o encerramento expôs outra face da mobilização. Houve confrontos pontuais em Hamburgo, Colônia, Stuttgart, Frankfurt e Berlim. A polícia usou canhões de água em Hamburgo, enquanto agentes ficaram feridos após serem atingidos por pedras em Frankfurt.

Assim, os protestos revelaram uma geração unida pelo descontentamento, mas dividida entre três impulsos: radicalizar a pressão, denunciar um futuro bloqueado ou preservar a confiança em pequenas conquistas.

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