Kassab abre a porta para Lula, mas cobra equilíbrio fiscal
Kassab abre a porta para Lula, mas cobra equilíbrio fiscal
Gilberto Kassab deixou a porta do PSD aberta para Luiz Inácio Lula da Silva — mas não sem condições. Segundo o dirigente, o governo já procurou o partido e a relação poderá ser “mais profunda” se o Planalto adotar medidas econômicas capazes de transmitir equilíbrio fiscal e segurança.
A posição combina pragmatismo político e cobrança econômica. De um lado, Kassab reconhece que Lula precisa preservar compromissos sociais; de outro, defende uma equipe com perfil associado à estabilidade, citando Antonio Palocci e Henrique Meirelles. “Se medidas econômicas forem adotadas, estaremos mais próximos”, afirmou. O recado é claro: a colaboração não está descartada, mas dependerá de sinais concretos ao centro.
Kassab também atribuiu o quarto mandato de Lula menos a uma ruptura da polarização e mais aos erros da candidatura de Flávio Bolsonaro. Para ele, a direita “dividiu o centro com o Lula”, enquanto o senador perdeu apoio ao se tornar mais conhecido fora do Rio de Janeiro e “acabou assustando falando em mexer na Constituição”. Na avaliação do presidente do PSD, o PT explorou essas fragilidades e mobilizou o receio de uma volta do bolsonarismo.
Embora classificado entre os materiais pró-governo, o segundo texto fornecido não apresenta uma interpretação governista sobre a possível aproximação com o PSD. Ele trata exclusivamente da condenação, nos Estados Unidos, de dois cidadãos chineses por uma operação de espionagem e tentativa de recrutamento de militares. Assim, não há contraponto direto do Planalto às condições impostas por Kassab.
O resultado é uma oferta cuidadosamente calibrada: o PSD sinaliza disposição para cooperar, sem aderir antecipadamente à base. Para Lula, a aproximação pode ampliar o apoio político; para Kassab, ela só avançará se vier acompanhada de moderação, diálogo e disciplina fiscal.
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