Jatos, despistes e um alerta cercam a saída de Flávio Bolsonaro

Relatos convergem sobre uma viagem terrestre à Argentina seguida de voo aos EUA, mas divergem sobre seu enquadramento jurídico e o alcance da ajuda estrangeira. A PF ainda apura a operação.
Jatos, despistes e um alerta cercam a saída de Flávio Bolsonaro

Jatos, despistes e um alerta cercam a saída de Flávio Bolsonaro
As reportagens reunidas no campo da oposição destacam a escala da logística: uma viagem terrestre de aproximadamente 1,6 mil quilômetros entre Brasília e a fronteira, seis veículos usados como despiste e pelo menos três jatos posicionados como alternativas. Uma das versões ressalta, porém, que Flávio Bolsonaro não seria considerado foragido, por não haver ordem de prisão ou condenação criminal contra ele. O senador afirma ter deixado o país para escapar do que chama de “perseguição e censura”.

Outro relato, baseado no jornal argentino Clarín, amplia o componente internacional. Segundo a publicação, agentes americanos teriam assumido funções no aeroporto de Puerto Iguazú, enquanto o governo de Javier Milei teria enviado um assessor à província de Misiones. A operação também teria recorrido a “falsas verdades” sobre o paradeiro do senador para dificultar seu rastreamento.

As fontes alinhadas ao governo concentram-se no alerta que quase interrompeu a viagem. Um aliado de Lula teria recebido, às 23h50, informações vindas da Argentina sobre um Gulfstream previsto para decolar às 2h30 com Flávio, a mulher e as duas filhas. O vazamento ao Infobae teria desorganizado o plano e adiado a partida por um dia.

Há também uma divergência central sobre o enquadramento jurídico. Enquanto uma reportagem enfatiza a inexistência de mandado de prisão, outra afirma que o senador deixou o Brasil apesar de uma ordem expressa do STF que o impedia de sair do país. Essa segunda versão relata ainda a presença de um ex-integrante do Mossad e diz que fontes governamentais classificaram a retirada como “exfiltração”.

Nas duas perspectivas, contudo, o núcleo factual é semelhante: travessia terrestre para a Argentina, embarque em jato particular, escala no Equador e chegada a Miami. A Polícia Federal analisa a eventual participação de agentes estrangeiros e pode pedir o bloqueio de bens e contas, enquanto o Ministério da Justiça aguarda o relatório antes de avaliar medidas de cooperação internacional.

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