Voto distrital misto promete fortalecer partidos, mas acende disputa pelo poder na Câmara
Voto distrital misto promete fortalecer partidos, mas acende disputa pelo poder na Câmara
A reforma eleitoral em discussão na Câmara combina uma promessa institucional com um cálculo imediato de poder. Pelo modelo cogitado, metade dos deputados seria escolhida em distritos e a outra metade por listas previamente ordenadas pelos partidos. A implantação completa ficaria para 2034, após uma transição ainda indefinida em 2030.
Na leitura mais crítica, a articulação é uma reação direta ao avanço do PL. Os partidos de centro perderam 22 cadeiras em relação a 2022, enquanto o PL passou de 99 para 121 deputados eleitos — 23,6% da Câmara. Hugo Motta pretende discutir e votar a mudança ainda em 2026, buscando apoio de legendas que vão do PL à federação de PT, PV e PCdoB, além de negociar com o Senado.
A análise do UOL também identifica uma motivação eleitoral, mas enfatiza como o novo sistema alteraria a competição. O eleitor teria dois votos: um para o representante de seu distrito e outro para um partido, federação ou coligação. Isso reduziria o impacto dos chamados “puxadores de voto”, hoje capazes de ajudar a eleger colegas com sua votação. Para José Roberto de Toledo, a proposta tende a avançar, embora encontre resistência: “vai ser aprovada e vai ter briga, porque o PL obviamente vai ser contra”.
Os dois relatos convergem sobre quem pode ganhar força: as direções partidárias, que passariam a controlar a ordem de parte dos candidatos eleitos. Divergem sobretudo no foco. Um destaca a tentativa do centrão de preservar espaço; o outro chama atenção para a engenharia do sistema e para o risco de manipulação no desenho dos distritos.
É justamente aí que a reforma pode emperrar. Ainda não há consenso sobre os limites territoriais, o formato das listas nem a regra de transição — que pode incluir o “distritão”. A proposta pretende reduzir a dependência de candidaturas individuais, mas abre outra disputa: quem controlará os mapas e as listas que decidirão parte da próxima Câmara.
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