Pró-governo diz que ameaças admitidas por servidores exigem reforço federal em aldeias

Dois servidores municipais reconheceram ter gravado áudios sobre envenenar a água da Aldeia Sassoró, mas alegaram que não agiriam. Enquanto a PF mantém a investigação, o governo amplia a proteção às comunidades Guarani-Kaiowá.
Pró-governo diz que ameaças admitidas por servidores exigem reforço federal em aldeias

Pró-governo diz que ameaças admitidas por servidores exigem reforço federal em aldeias
Dois servidores da Prefeitura de Tacuru, em Mato Grosso do Sul, admitiram à Polícia Federal que gravaram áudios com ameaças contra indígenas da Aldeia Sassoró. As mensagens falavam em envenenar a água consumida pela comunidade. Segundo a PF, ambos sustentaram que tudo foi “da boca para fora” e que não pretendiam executar a ameaça.

A explicação dos investigados contrasta com a cautela dos agentes. Eles atribuíram as gravações à “bebedeira” e classificaram o conteúdo como “besteira” e “palavra mal colocada”. O diretor de Amazônia e Meio Ambiente da PF, Humberto Freire, afirmou, no entanto, que a apuração não dependerá apenas dessas declarações. A coleta de provas continua, e o inquérito será encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário para análise de possíveis responsabilizações.

O governo federal adota uma leitura mais dura. “Queremos ser absolutamente rigorosos para que nenhuma dessas práticas possa ocorrer sem a responsabilização”, declarou o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva. Já o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, disse que nenhuma ameaça ou violência contra as comunidades será desconsiderada.

A resposta inclui a ampliação do efetivo da Força Nacional e a manutenção de agentes no terreno, disponíveis para deslocamento diante de ocorrências graves. O monitoramento da qualidade da água em Sassoró também será reforçado, enquanto o Programa de Proteção foi oferecido às vítimas.

Há ainda diferença na dimensão das denúncias. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil contabilizou mais de 30 casos após as eleições. O Ministério dos Povos Indígenas, depois de uma triagem, informou ter recebido dez ocorrências, quatro delas em Mato Grosso do Sul. Até então, segundo Terena, apenas a ameaça de envenenamento apresentava ligação direta com crime político; os demais episódios continuam sob averiguação.

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