Trégua em Oleshky salva civis, mas paz ainda esbarra nos ataques à Ucrânia

O papa Leão XIV vê na operação humanitária uma oportunidade para reabrir o diálogo entre Moscou e Kiev. A retirada de moradores, porém, ocorreu enquanto novos ataques russos deixavam milhares de imóveis sem energia.
Trégua em Oleshky salva civis, mas paz ainda esbarra nos ataques à Ucrânia

Trégua em Oleshky salva civis, mas paz ainda esbarra nos ataques à Ucrânia
A retirada de civis de Oleshky ofereceu uma rara imagem de cooperação entre Rússia e Ucrânia — e duas leituras complementares, mas de pesos distintos. O Vaticano enxerga uma possível ponte para a paz; Kiev destaca o êxito humanitário sem perder de vista uma guerra que continua atingindo a infraestrutura do país.

Durante a oração dominical no Vaticano, o papa Leão XIV pediu que o cessar-fogo localizado não termine como um episódio isolado. “Espero que a cooperação entre as partes, que tornou possível esse gesto humanitário necessário, fortaleça sua disposição de se engajar no diálogo e leve a novas iniciativas concretas em prol da paz”, afirmou. A trégua permitiu entregar alimentos e medicamentos, retirar moradores e limpar estradas minadas. O acordo foi atribuído à mediação de Melania Trump, com participação adicional do pontífice, que havia mantido contatos com Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky.

A perspectiva ucraniana é mais cautelosa. Os moradores deixaram Oleshky de ônibus, atravessaram Rússia e Bielorrússia e chegaram à região de Chernihiv, sob controle de Kiev. Zelensky agradeceu aos Estados Unidos e a Melania pela intermediação, enquanto as autoridades evitaram informar quantas pessoas foram retiradas para proteger quem permaneceu na cidade e não comprometer futuras missões.

O contraste aparece no cenário ao redor da operação. Enquanto a trégua avançava em Oleshky, ataques russos teriam deixado cerca de 280 mil residências ucranianas sem eletricidade, atingindo instalações energéticas em Kiev e Dnipro. Assim, o mesmo acordo que alimenta a esperança do papa também expõe seus limites: houve coordenação suficiente para salvar civis, mas ainda não para interromper a ofensiva mais ampla.

As duas leituras convergem em um ponto: o corredor humanitário funcionou. A divergência está no que ele representa — para o Vaticano, um primeiro passo diplomático; para Kiev, um alívio indispensável dentro de um conflito ainda ativo.

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