Defesa de Flávio mira Moraes, mas silêncio sobre ida aos EUA pesa no pedido

Advogados alegam possível conflito de interesses e querem transferir o inquérito para André Mendonça. A contestação, porém, não aborda a saída do senador do Brasil após as restrições impostas pelo STF.
Defesa de Flávio mira Moraes, mas silêncio sobre ida aos EUA pesa no pedido

Defesa de Flávio mira Moraes, mas silêncio sobre ida aos EUA pesa no pedido
A defesa de Flávio Bolsonaro abriu duas frentes no Supremo Tribunal Federal: quer afastar Alexandre de Moraes do inquérito sobre a relação do senador com o advogado Willer Tomaz e derrubar as medidas cautelares impostas contra ele. O destino pretendido para o processo é o gabinete de André Mendonça.

O argumento central é que Moraes utilizou uma aeronave da Fraction 024, empresa que aparece na investigação sobre uma suposta sociedade indireta entre Flávio e Willer para lavagem de dinheiro. Segundo os advogados, cotas da companhia também teriam sido destinadas ao escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro — relação comercial negada pelo escritório. A petição sustenta que a apuração pode alcançar fatos envolvendo Moraes, “ainda que na condição de mero passageiro”. Caso o impedimento não seja reconhecido, a defesa pede sua suspeição.

Os advogados também afirmam que o caso deriva da Operação Sem Desconto, sobre fraudes no INSS, e por isso deveria ficar com Mendonça, relator daquela investigação. Ao mesmo tempo, contestam o cancelamento dos passaportes de Flávio, a entrega do documento italiano e a proibição de contato com Willer. “Questionar o resultado de um pleito pelas vias institucionais não é, nem pode ser, indício de fuga”, diz a peça.

É justamente nesse ponto que as narrativas se chocam. Enquanto a defesa tenta desmontar os fundamentos originais das restrições, o relato crítico ressalta que a petição não menciona a saída de Flávio do Brasil pela fronteira com a Argentina nem sua viagem posterior aos Estados Unidos, após a ordem de entrega dos documentos. Também observa que Moraes autorizou as cautelares depois de a Polícia Federal solicitá-las.

Flávio e Willer negam irregularidades. Agora, caberá ao STF decidir se os vínculos apontados justificam trocar o relator — e se os argumentos defensivos superam a sequência de acontecimentos fora dos autos.

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