Pró-governo diz que voto distrital misto aproxima eleitor, mas rebelião ameaça reforma

O plano para mudar as eleições da Câmara em 2034 enfrenta oposição do PL e do Novo, dúvidas no PT e resistência dentro do próprio centrão. A disputa envolve poder partidário, representação territorial e sobrevivência eleitoral.
Pró-governo diz que voto distrital misto aproxima eleitor, mas rebelião ameaça reforma

Pró-governo diz que voto distrital misto aproxima eleitor, mas rebelião ameaça reforma
A reforma articulada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tenta trocar o sistema proporcional pelo distrital misto a partir de 2034. Metade dos deputados seria escolhida em distritos territoriais; a outra metade, por listas partidárias. Para os defensores, o modelo reduziria o efeito de candidatos que, com votações gigantescas, ajudam a eleger colegas — mecanismo que impulsionou o PL — e reforçaria a prestação de contas. “Esse é o modelo que mais aproxima o eleitor do deputado e permite uma maior cobrança”, afirma o relator Domingos Neto (PSD-CE).

O consenso, porém, termina no princípio geral. Uma ala do centrão prefere o distritão, pelo qual seriam eleitos os candidatos individualmente mais votados em cada estado. “Um parlamentar com votação expressiva eleger outros com votação ínfima é incompatível com a democracia”, argumenta Igor Timo (Podemos-MG). Especialistas e dirigentes partidários contrapõem que esse sistema estimularia campanhas personalistas, enfraqueceria os partidos e dificultaria coalizões.

Deputados de partidos menores e parlamentares com eleitorado disperso também temem perder espaço para prefeitos populares e outras lideranças territoriais. Representantes de categorias profissionais ou causas específicas dificilmente concentram votos em um único distrito. Há ainda o receio de que governadores usem sua influência regional para esmagar adversários.

Na oposição, PL e Novo prometem reunir seus 103 deputados contra a mudança — bancada que deverá alcançar 131 integrantes. No PT, não há posição fechada: uma ala aceita discutir um sistema misto; outra teme perdas e influência criminosa em territórios delimitados. Lindbergh Farias (PT-RJ) alerta que a eleição territorializada pode ampliar “a participação de facções criminosas e milícias na política”.

Motta tenta ganhar votos adiando a implantação definitiva para 2034, mas a transição de 2030 continua sem acordo. Republicanos, Podemos e defensores do distritão oferecem fórmulas diferentes. Como a mudança exige uma PEC — e, portanto, 308 votos na Câmara e 49 no Senado —, a reforma criada para conter o avanço do PL pode naufragar justamente na divisão de seus articuladores.

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