Sete minutos separam ex-agente do Mossad da suposta rota de Flávio Bolsonaro
Sete minutos separam ex-agente do Mossad da suposta rota de Flávio Bolsonaro
A passagem de Menachem Booky Halevy pela fronteira entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú tornou-se uma peça central — mas ainda inconclusiva — da investigação sobre a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. Apontado pelas reportagens como ex-agente do Mossad, Halevy viajava com Roberto Jorge Alexandre, advogado que já defendeu Jair Bolsonaro, em uma van que cruzou a fronteira cerca de sete minutos antes de outro veículo associado ao senador e à sua família.
Na leitura mais incisiva, essa proximidade reforça a hipótese de uma retirada planejada. A reportagem da oposição descreve o episódio como uma “operação planejada de exfiltração”, supostamente batizada de “Alba”, e destaca as viagens anteriores de Halevy ao Brasil, a rota por Argentina e Equador e o uso de um avião privado até a região de Miami. Ao mesmo tempo, reconhece que não há decisão judicial responsabilizando o israelense nem prova de participação institucional do Mossad.
A abordagem pró-governo é mais cautelosa. Embora reúna os mesmos elementos — vans da mesma empresa, registros migratórios repetidos e trajetos separados da família —, enfatiza que o material divulgado “não comprova que ele tenha organizado ou facilitado uma fuga”. O motorista que levou Halevy e o advogado ao aeroporto argentino também afirmou não ter visto integrantes da família Bolsonaro.
O contraste está menos nos fatos do que no peso atribuído a eles. Para uma perspectiva, a sequência revela sinais de coordenação internacional; para a outra, forma apenas um conjunto de circunstâncias que ainda exige comprovação. Eduardo Bolsonaro ampliou a primeira interpretação ao republicar no X uma mensagem que atribuía a Halevy um “papel vital” no episódio.
Permanecem sem resposta quem contratou Halevy, quem financiou os deslocamentos e por que documentos distintos geraram três registros de entrada de Flávio Bolsonaro na Argentina. Até que essas lacunas sejam preenchidas, a cronologia levanta suspeitas fortes — mas não fecha o caso.
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