Oposição diz que candidatura de Zé Trovão pode atrapalhar favoritismo de Hugo Motta

Zé Trovão promete disputar o comando da Câmara se o PL não lançar um nome competitivo. O desafio, porém, esbarra na ampla aliança de Hugo Motta e na indefinição interna do partido.
Oposição diz que candidatura de Zé Trovão pode atrapalhar favoritismo de Hugo Motta

Oposição diz que candidatura de Zé Trovão pode atrapalhar favoritismo de Hugo Motta
O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) transformou a sucessão na Câmara em um teste de coerência para seu partido. Ele afirmou que concorrerá à Presidência da Casa em fevereiro de 2027 caso o PL, dono da maior bancada da próxima legislatura, não apresente um nome competitivo.

“Se o PL não apresentar um candidato competitivo à Presidência da Câmara dos Deputados, eu serei candidato”, declarou. Para Trovão, a direita deve assumir a disputa e manter no Congresso as posições defendidas durante a campanha eleitoral.

A promessa, contudo, contrasta com a matemática já reunida por Hugo Motta (Republicanos-PB). O atual presidente da Câmara conta com o apoio declarado de partidos que somarão 338 deputados — uma margem superior aos 257 votos necessários. O PL terá 121 cadeiras, mas ainda precisa decidir se lançará candidatura própria. Por enquanto, a iniciativa de Trovão é individual e condicionada à escolha da bancada.

Trovão também fechou a porta para uma composição. “Não contem com meu apoio a Hugo Motta ou Davi Alcolumbre como parte de acordos por cargos e conveniências políticas”, disse. Ele associa a eleição no Congresso às pautas sobre Jair Bolsonaro e os condenados pelos atos de 8 de janeiro, defendendo que qualquer atuação ocorra “pelos caminhos legais e constitucionais”.

Nas redes sociais, apoiadores dessa linha elevaram a pressão sobre parlamentares do campo conservador. Rodrigo Constantino classificou como “colaboracionista do regime lulista” quem defender voto em Motta.

Os dois lados, portanto, partem de forças diferentes: Trovão aposta na mobilização ideológica e no peso da bancada do PL; Motta, numa aliança ampla que reúne partidos do Centrão e da esquerda. Sem um candidato oficial do partido, a ameaça de Trovão funciona mais como pressão interna do que como candidatura consolidada — ao menos por enquanto.

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