Irã oferece abrir Ormuz, mas impõe uma conta alta aos EUA

Teerã promete liberar rapidamente a rota estratégica se Washington aceitar suas exigências, enquanto ameaças militares mantêm o acordo sob risco. O mercado reagiu com forte queda do petróleo.
Irã oferece abrir Ormuz, mas impõe uma conta alta aos EUA

Irã oferece abrir Ormuz, mas impõe uma conta alta aos EUA
O Irã diz estar pronto para reabrir o Estreito de Ormuz em dois dias — prazo menor que a semana prevista anteriormente — desde que os Estados Unidos aceitem suas condições. Teerã exige cessar-fogo regional, liberação de ativos no exterior, suspensão das sanções ao petróleo, desbloqueio de seus portos, redução da presença militar americana e reconhecimento de uma nova rota acertada com Omã. Para o porta-voz Esmaeil Baqaei, a proposta demonstra a “postura de boa-fé do Irã”.

A oferta, porém, está cercada por ameaças dos dois lados. Baqaei advertiu que uma nova agressão teria resposta “contundente, imediata e global”. Donald Trump seguiu na direção oposta à conciliação: afirmou que ainda restariam “um ou dois” alvos iranianos e declarou que, em algum momento, os EUA teriam de dar “um golpe contundente”. O contraste é direto: Teerã oferece segurança marítima em troca de concessões; Washington mantém a possibilidade de usar força para aumentar a pressão.

O mercado preferiu enxergar a abertura diplomática. Com as conversas mediadas pelo Catar descritas pelo chanceler Abbas Araqchi como “em andamento e progredindo”, o Brent recuou 4,3%, para US$ 108,55, enquanto o WTI caiu 4,32%, a US$ 99,62. A reação mostra o peso de Ormuz, rota por onde passa uma parcela decisiva do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo.

Ainda assim, o alívio está longe de representar uma solução. Analistas atribuem a queda à combinação entre esperança diplomática e ausência de nova escalada militar no fim de semana. Ao mesmo tempo, ataques a navios, danos à infraestrutura e déficits de produção continuam sustentando o risco de nova disparada dos preços. Assim, as diferentes leituras convergem num ponto: há uma janela para acordo. Divergem, contudo, sobre sua solidez — para Teerã, tudo depende da resposta americana; para Washington, a ameaça militar permanece sobre a mesa; para os investidores, dois dias podem mudar o mercado, mas não eliminar a guerra.

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