Guerras levam mortes de jornalistas ao pior nível em uma década
Guerras levam mortes de jornalistas ao pior nível em uma década
O diagnóstico central é compartilhado: com 189 jornalistas mortos em 2024 e 2025, o mundo atingiu o maior número de assassinatos de profissionais da imprensa desde o biênio 2014/2015, quando houve 215 vítimas. As zonas de conflito concentraram 127 mortes — 67% do total e 24% acima do levantamento anterior.
Na leitura pró-governo, a guerra explica a disparada e expõe uma mudança no perfil dos ataques. Cinquenta jornalistas morreram em ações com drones, enquanto ao menos 36 foram atingidos em redações, escritórios ou instalações que os abrigavam. Em 15 casos, havia indícios de que os profissionais foram alvejados apesar de usarem coletes ou veículos identificados como imprensa.
A Palestina aparece como epicentro da crise: foram 62 jornalistas mortos, cerca de um terço do total mundial. Ao mesmo tempo, o número de vítimas fora de zonas de guerra caiu para 62, o menor patamar em 18 anos. O contraste, porém, não significa segurança: houve mortes em escritórios, veículos e residências, além de casos ligados à cobertura de política, crime e corrupção.
A perspectiva de oposição amplia o foco para a responsabilização. Desde 2006, a Unesco registrou 1.641 jornalistas assassinados, mas somente 223 casos foram solucionados judicialmente. Somados os crimes não resolvidos e aqueles sem resposta das autoridades, a impunidade chegou a 86%, primeira alta desde 2012.
“Fazer reportagens sobre alguns assuntos pode ser tão perigoso quanto reportar em uma zona de guerra”, afirmou Sylvie Couldray, diretora da Unesco. No Brasil, o relatório contabilizou uma morte no biênio: a do radialista Luisinho Costa, assassinado dentro de um estúdio no Pará. O inquérito terminou com quatro pessoas indiciadas — uma exceção parcial diante de um cenário global marcado por crimes sem resposta.
https://resumosbrasil.com/stories/01a19d52-02bb-2f01-702e-3ecb53a09e07
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