Pró-governo diz que abertura de Milei fecha empresas e divide a economia argentina
Pró-governo diz que abertura de Milei fecha empresas e divide a economia argentina
A Argentina de Javier Milei exibe duas economias. De um lado, energia, mineração e agricultura avançam com exportações e investimentos. Do outro, fábricas voltadas ao mercado interno enfrentam consumo deprimido, importados mais baratos e uma onda de encerramentos.
Cerca de 32,3 mil empresas — 6% do total argentino — fecharam entre dezembro de 2023 e julho de 2026, segundo o centro de estudos Fundar. Na fabricante têxtil Eseka, as vendas recuaram aproximadamente 40%, o quadro de funcionários encolheu 30% e mais da metade das máquinas de meias está parada. “A situação é crítica”, afirmou o proprietário Ricardo Kuchikian.
O diagnóstico empresarial contrasta com a vitrine macroeconômica do governo. A austeridade derrubou a inflação de quase 200% para cerca de 30%, e investidores receberam bem a flexibilização de importações, controles cambiais e outras normas. Mas essa melhora ainda não alcançou amplamente as famílias: o consumo caiu 2,7% nos primeiros nove meses de 2026, enquanto a pobreza voltou a atingir quase um terço da população.
A indústria recuou 3,2% em agosto, na comparação anual; comércio atacadista e varejista perderam 3,5%, e a construção caiu 2,5%. Após retração de 0,6% do PIB no segundo trimestre, economistas estimaram nova queda no terceiro, suficiente para caracterizar recessão técnica. Ao mesmo tempo, a desaprovação de Milei chegou a 56%, contra 36% de aprovação.
Para fabricantes, o problema é a combinação explosiva entre abertura rápida e demanda fraca. Kuchikian teme que “a indústria nacional possa desaparecer”. Já Milei classificou como “estupidez colossal” a alegação de que os argentinos não conseguem pagar as contas. Seu governo insiste que a recuperação é desigual por natureza: “Este é o programa econômico em que o presidente acredita, e ele não vai mudá-lo”.
A disputa, portanto, não é apenas sobre inflação. É sobre quem paga pelo ajuste — e se os setores exportadores conseguirão compensar, antes da eleição de 2027, a erosão da indústria, do emprego e do poder de compra.
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