Vorcaro leva prisão à CIDH enquanto investigação bilionária avança
Vorcaro leva prisão à CIDH enquanto investigação bilionária avança
A ida da defesa de Daniel Vorcaro à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) elevou a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal. Os advogados pedem que o Brasil indique, em cinco dias, um juiz competente para analisar a liberdade do ex-controlador do Banco Master, preso preventivamente desde março.
O argumento central é processual: o pedido de soltura, apresentado em 18 de setembro, permanece sem julgamento. “Não se trata de simples demora: há uma pessoa presa e, há mais de 40 dias, nenhuma decisão sobre o seu pedido”, afirma a defesa, que também diz não haver instância superior à qual recorrer.
Veículos identificados com campos políticos distintos descrevem praticamente o mesmo impasse. A defesa sustenta que ainda não existe denúncia formal nem ação penal e afirma que a prisão não foi reavaliada no intervalo obrigatório de 90 dias. Para os advogados, o indiciamento é “ato unilateral da autoridade policial” e não substitui uma acusação do Ministério Público.
O recurso à CIDH, porém, não produz automaticamente a soltura. A equipe jurídica afirma que não pretende discutir o mérito das investigações nem substituir a Justiça brasileira, mas recorrer a um mecanismo internacional quando, em sua avaliação, “as vias internas deixam de funcionar”. Também questiona vazamentos de conversas privadas, o uso de comunicações com advogados e a integridade de dados extraídos do celular apreendido.
Do outro lado está o peso da investigação. A Polícia Federal indiciou Vorcaro e outras 14 pessoas e apontou indícios de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa em operações entre Master e BRB. Segundo os investigadores, Vorcaro concentrava o comando das decisões envolvendo carteiras de crédito consideradas fictícias, estimadas em R$ 12,2 bilhões.
A disputa, portanto, corre em duas pistas: a PF amplia as suspeitas, enquanto a defesa insiste que gravidade investigativa não elimina garantias processuais. Uma audiência no STF surge como a próxima tentativa de destravar essa colisão.
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