Oposição diz que governo mira desenhos bíblicos e exige explicações
Oposição diz que governo mira desenhos bíblicos e exige explicações
O Ministério da Justiça elevou de livre para 12 anos a classificação indicativa do Record Kids: Desenhos Bíblicos, da Record. A recomendação passou a ser de exibição após as 20h na TV aberta. Para a pasta, a decisão segue critérios técnicos: foram identificados “atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito”. O programa, no ar desde 2003, vinha sendo exibido nas manhãs de domingo.
A oposição lê a mesma medida por uma lente bem diferente. Parlamentares conservadores afirmam que a reclassificação atinge a formação religiosa de crianças e questionam por que o parecer técnico completo não foi divulgado. O deputado estadual Major Mecca (PL-SP) chamou a decisão de “um ataque direto à nossa fé e à formação das nossas crianças” e sustentou que um Estado laico não deve ser antirreligioso.
O contraste está no significado atribuído à portaria. De um lado, o ministério aponta descritores presentes nas próprias narrativas — que incluem mortes, crimes e a crucificação de Cristo — e aplica uma faixa etária mais alta. Do outro, deputados tratam a mudança como censura ou perseguição, embora a decisão estabeleça uma recomendação de idade e horário, não uma proibição.
A reação política deve avançar além das redes sociais. A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) anunciou um projeto de decreto legislativo para tentar sustar a portaria e um requerimento de informações ao ministério. Já Luciano Zucco (PL) questionou as prioridades do governo: “E a preocupação do governo é com o desenho bíblico de domingo de manhã?”.
Assim, uma alteração administrativa virou disputa política: o governo invoca proteção ao público infantil; a oposição exige os fundamentos detalhados e afirma que a liberdade religiosa está sob pressão.
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