Método Janones cruza a fronteira, mas Lula evita apostar contra Milei

Janones levou a Massa e Cristina Kirchner a experiência digital da campanha brasileira. Enquanto aliados exaltam a mobilização popular, críticos questionam as táticas e Lula evita escolher um nome peronista.
Método Janones cruza a fronteira, mas Lula evita apostar contra Milei

Método Janones cruza a fronteira, mas Lula evita apostar contra Milei
André Janones desembarcou em Buenos Aires com uma promessa ambiciosa: adaptar para a eleição argentina de 2027 a máquina de mobilização digital construída no Brasil. Ao lado dos publicitários Rafael Marroquim e Chico Kertesz, o deputado discutiu com Sergio Massa como reproduzir uma rede que reuniu mais de 10,5 milhões de pessoas em um canal de WhatsApp. Para a professora Issaaf Karhawi, o alcance veio do “engajamento de pessoas de verdade”, em contraste com campanhas alimentadas por perfis automatizados.

Essa é a leitura favorável: comunicação direta, rápida e capaz de furar os filtros das plataformas. A visão crítica é bem diferente. Uma análise descreve o “janonismo cultural” como uma tática de alto engajamento baseada em “postagens rápidas, memes, conteúdos distorcidos, boatos e notícias falsas” para ocupar o algoritmo e pautar o debate. O mesmo método, portanto, aparece ora como mobilização orgânica, ora como estratégia que tensiona os limites da disputa política digital.

A viagem também expôs a competição dentro do peronismo. Massa, derrotado por Milei em 2023, tenta recuperar protagonismo, mas enfrenta Axel Kicillof, governador da província de Buenos Aires. Fontes ouvidas na Argentina afirmam que Kicillof aparece com “muitas mais chances de derrotar” Milei. Ao mesmo tempo, Lula teria decidido não intervir na escolha e tenderia a apoiar o candidato considerado mais competitivo.

Janones ampliou a articulação ao encontrar Cristina Kirchner, ainda influente na definição da candidatura opositora apesar de inelegível. Segundo o relato, ela deve funcionar como “fiel da balança” entre Massa e Kicillof.

Há, assim, dois movimentos paralelos: Janones exporta sua experiência e Massa tenta transformar a aproximação em vantagem interna. Brasília, porém, evita carimbar um favorito. Antes de enfrentar Milei, a oposição argentina terá de decidir quem liderará — e qual versão do método brasileiro está disposta a adotar.

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