PSOL ganha poder para segurar aliados de Boulos antes da ida ao PT

A cláusula de barreira fortaleceu a direção do PSOL, que agora exige negociação para autorizar a saída de parlamentares. O grupo de Boulos e Erika Hilton argumenta que ajudou o partido a alcançar o desempenho mínimo.
PSOL ganha poder para segurar aliados de Boulos antes da ida ao PT

PSOL ganha poder para segurar aliados de Boulos antes da ida ao PT
A decisão do Tribunal Superior Eleitoral sobre a cláusula de barreira mudou o equilíbrio de forças dentro do PSOL. Com o reconhecimento de que a federação PSOL-Rede alcançou o desempenho mínimo — após o arredondamento de 1,49% para 1,5% dos votos no Espírito Santo —, deputados interessados em trocar a sigla pelo PT perderam uma das justificativas para sair sem autorização.

Na leitura mais crítica à direção partidária, o PSOL tenta evitar uma debandada e não dará “passe livre” a nomes ligados a Guilherme Boulos e Erika Hilton. A regra constitucional estabelece que parlamentares que abandonarem o partido pelo qual foram eleitos perderão o mandato, salvo em caso de “anuência do partido” ou outra hipótese legal de justa causa.

Outra análise descreve a medida como uma tentativa de “dificultar” a migração. Além de Hilton, os deputados federais eleitos Natalia Boulos e Rick Azevedo aparecem entre os possíveis dissidentes. Aliados do grupo afirmam que permaneceram no PSOL durante as eleições justamente para ajudar a federação a superar a cláusula de barreira — argumento que pretendem levar à mesa de negociação.

Já a perspectiva mais próxima do governo enfatiza menos o bloqueio e mais a exigência de uma negociação formal, individual ou coletiva. Nessa visão, o impasse reflete uma divergência estratégica: a corrente Revolução Solidária, associada a Boulos e Hilton, defendia uma federação com o PT, enquanto a direção do PSOL rejeitou uma integração institucional mais profunda.

As versões convergem em um ponto: a saída não está proibida, mas ficou mais cara politicamente e mais arriscada juridicamente. Sem carta de anuência ou justa causa reconhecida, deputados podem enfrentar ações por infidelidade partidária e até perder o mandato. Com o TSE fortalecendo a cúpula do PSOL, o destino do grupo dependerá agora de uma negociação que promete expor — outra vez — as diferenças da esquerda sobre sua relação com o PT.

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