Marinho quer tirar votos do sigilo para barrar Alcolumbre no Senado

O senador aposta na divulgação dos votos da direita para impedir dissidências e chegar aos 41 apoios necessários. Alcolumbre, por sua vez, costura uma coalizão de centro e esquerda favorecida pelo voto secreto.
Marinho quer tirar votos do sigilo para barrar Alcolumbre no Senado

Marinho quer tirar votos do sigilo para barrar Alcolumbre no Senado
Rogério Marinho (PL-RN) quer transformar a eleição para a presidência do Senado em um teste público de lealdade. Provável candidato da oposição, ele defenderá que parlamentares de direita revelem seus votos, numa tentativa de impedir que senadores eleitos com críticas ao Supremo Tribunal Federal apoiem a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP). “Vou defender. É difícil justificar em público o voto no Alcolumbre”, afirmou.

A estratégia explora a principal vulnerabilidade do PL: ter uma bancada numerosa sem garantia de unidade. O partido elegeu 19 senadores e deverá reunir 29 integrantes, mas Marinho precisará alcançar ao menos 41 votos entre os 81 membros da Casa. Para isso, conta também com siglas de direita e centro-direita — um campo no qual as alianças partidárias já mostram fissuras.

Alcolumbre percorre o caminho oposto. Após a virada de Lula no segundo turno da eleição presidencial, ele se reaproximou do governo e passou a articular apoios no centro e na esquerda, além de tentar atrair votos dentro do próprio PL. O voto secreto favorece essa operação: dirigentes podem anunciar uma posição, enquanto os senadores escolhem outra na cabine.

O contraste é claro. Marinho aposta na exposição para elevar o custo político das dissidências; Alcolumbre depende de uma coalizão mais ampla e da liberdade proporcionada pelo sigilo. A federação União Progressista anunciou apoio ao atual presidente do Senado, mas integrantes do PP resistem, e Tereza Cristina (PP-MS) ainda avalia entrar na disputa.

Assim, o tamanho das bancadas será apenas o ponto de partida. Como observa a análise de Josias de Souza, a força conquistada pelo PL nas urnas pode não se converter automaticamente em poder institucional. A batalha real será travada entre disciplina pública e negociação reservada.

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