Pró-governo diz que separar 20 mil votos é essencial para evitar um dano eleitoral irreversível

Washington quer suspender a contagem até verificar a cidadania dos eleitores. A Califórnia alerta para o risco de retirar votos legítimos com base em uma lista contestada, argumento já acolhido por tribunais inferiores.
Pró-governo diz que separar 20 mil votos é essencial para evitar um dano eleitoral irreversível

Pró-governo diz que separar 20 mil votos é essencial para evitar um dano eleitoral irreversível
Às vésperas das eleições de meio de mandato, o governo Donald Trump pediu à Suprema Corte dos Estados Unidos que impeça temporariamente a Califórnia de contar votos enviados pelo correio por mais de 20 mil eleitores registrados. O Departamento de Justiça afirma que essas pessoas provavelmente não são cidadãs e quer manter as cédulas separadas até que cada situação seja verificada.

Para Washington, esperar é indispensável: “Uma vez que os votos ilegalmente emitidos sejam contados e misturados aos votos legítimos, o dano resultante é impossível de ser reparado”. A lista foi elaborada pelo Departamento de Segurança Interna e encaminhada às autoridades estaduais e do condado de Los Angeles. O governo também acusa a Califórnia de dificultar a aplicação da lei federal que criminaliza o voto de não cidadãos.

A Califórnia enxerga o caso pelo ângulo oposto. O estado diz possuir salvaguardas robustas contra votos inelegíveis e sustenta que o método federal é falho, possivelmente repleto de erros e baseado em acusações vagas. Para o juiz federal David Carter, a ofensiva não tem precedente: “Nunca antes na história dos EUA o governo federal, às vésperas de uma eleição, tentou coagir governos estadual e local a abandonar seus próprios procedimentos eleitorais constitucionais”.

O contraste é direto: o governo federal aponta o risco de votos irregulares impossíveis de recuperar; a Califórnia alerta para a exclusão de cidadãos legítimos. Estudos e auditorias estaduais indicam que votos de pessoas inelegíveis, incluindo não cidadãos, são raros, enquanto a administração eleitoral cabe primordialmente aos estados.

Até agora, os tribunais inferiores favoreceram a posição californiana. Carter rejeitou a medida, e o Tribunal de Apelações do 9º Circuito também recusou bloquear as cédulas, destacando a autoridade estadual e seu arcabouço de integridade eleitoral. Agora, a Suprema Corte decidirá se intervém em uma disputa com impacto potencial sobre o controle do Congresso.

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