Oposição diz que rejeição de Edir Macedo a lema expõe distância da família Bolsonaro

O fundador da Universal trocou a pátria pela família em sua ordem de prioridades. Enquanto uma leitura vê justificativa religiosa, outra interpreta a fala como sinal de reposicionamento político.
Oposição diz que rejeição de Edir Macedo a lema expõe distância da família Bolsonaro

Oposição diz que rejeição de Edir Macedo a lema expõe distância da família Bolsonaro
O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, rejeitou o lema “Deus, Pátria e Família”, amplamente associado às campanhas de Jair Bolsonaro e de seus filhos. Em uma pregação no Templo de Salomão, em São Paulo, ele propôs outra hierarquia: “Primeiro Deus, segundo a família, e terceiro o Estado, ou o que mais que queira ser”.

A justificativa apresentada por Macedo foi religiosa, não partidária. Ao citar personagens bíblicos como Abraão e Isaac, o bispo argumentou que a nação depende primeiro da existência da família. “Se não houver família, vai haver pátria?”, questionou aos fiéis. Nessa leitura, sua discordância estaria na ordem das prioridades: Deus permanece no topo, mas a família deve vir antes do Estado.

A dimensão política, porém, tornou a declaração mais carregada. Uma análise mais cautelosa destaca o contraste com o apoio dado pela Universal à tentativa de reeleição de Bolsonaro em 2022 e aponta que a igreja evitou declarar preferência na disputa presidencial seguinte, concentrando esforços em candidatos ligados à própria instituição.

Outra interpretação vai além e trata a pregação como evidência de ruptura. Um dos textos afirma que a reprovação ao lema funciona “como uma senha institucional” para o afastamento de forças religiosas e conservadoras do bolsonarismo. Essa avaliação relaciona a fala ao desempenho eleitoral de nomes ligados à Universal e à busca por maior autonomia política.

As leituras convergem em um ponto: Macedo retirou a pátria do lugar privilegiado ocupado no lema bolsonarista. Divergem, contudo, sobre o alcance do gesto. Para uns, trata-se essencialmente de doutrina; para outros, é um recado político calculado. O bispo não anunciou formalmente uma ruptura, mas a escolha das palavras abriu espaço para essa interpretação.

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