Pró-governo diz que falhas transformaram o Smart Sampa em risco para a população

Imagens de 17 mil câmeras puderam ser vistas sem senha, mas a Prefeitura nega exposição pública e atribui a segurança dos equipamentos às empresas parceiras. Especialistas contestam a resposta e apontam falhas estruturais.
Pró-governo diz que falhas transformaram o Smart Sampa em risco para a população

Pró-governo diz que falhas transformaram o Smart Sampa em risco para a população
Uma nova brecha no Smart Sampa permitiu ao UOL acessar, durante cinco dias e sem senha, transmissões de 17 mil câmeras de empresas conveniadas à Prefeitura de São Paulo. Os links incluíam imagens de ruas onde vivem autoridades e foram desativados após questionamentos à gestão municipal e às empresas envolvidas. Foi a segunda exposição de grande escala revelada em menos de um mês.

Para especialistas, a repetição muda o tamanho do problema: não seria um incidente isolado, mas sinal de fragilidade estrutural. O pesquisador Davi Mikael Cezar, o Penegui, afirmou que o programa “não foi criado para ser um sistema crítico”, apesar de lidar com informações sensíveis. Ele citou senhas previsíveis, credenciais vazadas e uma organização de endereços que poderia facilitar acessos indevidos. Sobre a reação oficial, foi direto: “É normal achar vulnerabilidades […] Agora, você negar não é uma coisa boa.”

A Prefeitura apresenta outra leitura. Diz que a lista de links nunca esteve pública na internet, mas fazia parte de uma planilha produzida pela Prodam em uma análise de cibersegurança. Segundo a gestão Ricardo Nunes, não há evidências de ataque externo, e o envio do arquivo à reportagem configuraria vazamento criminoso. Também afirma que suas mais de 20 mil câmeras próprias não estavam na relação e que cada parceiro privado responde pela segurança de sua infraestrutura.

A Monuv, que hospedava as transmissões, rebate essa divisão de responsabilidades ao afirmar que o acesso segue “as especificações de acesso e segurança definidas pelo próprio Smart Sampa”. Para o colunista Leonardo Sakamoto, esse impasse deixa o cidadão no meio de um sistema que concentra imagens, mas dispersa obrigações: “O olho que deveria vigiar o crime pode trabalhar para ele.”

As versões divergem sobre a origem da exposição, mas o ponto incontornável permanece: os links abriam imagens ao vivo sem autenticação. A investigação agora terá de esclarecer quem falhou — e por que uma plataforma de segurança permitia acesso tão simples.

https://resumosbrasil.com/stories/01a1a12e-96b1-346b-71bd-1602573ef3ee

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