Fux defende banimento das bets, e clubes apresentam uma conta milionária

Governo aponta vício, endividamento e danos às famílias; clubes respondem com perdas de receita, empregos ameaçados e insegurança jurídica. A audiência expôs o choque, mas não decidiu o futuro do setor.
Fux defende banimento das bets, e clubes apresentam uma conta milionária

Fux defende banimento das bets, e clubes apresentam uma conta milionária
A audiência pública no Supremo Tribunal Federal começou com uma indicação poderosa. Relator das ações contra a medida provisória que proibiu as bets, Luiz Fux afirmou ter se convencido de que a ludopatia é um problema de saúde pública e econômico e que as apostas deveriam ser banidas do esporte.

O governo encontrou, assim, um aliado no diagnóstico — mas não necessariamente em toda a condução do debate. Lula convocou apoiadores a acompanhar a audiência e declarou: “Você sabe que eu sou contra as bets. Ela tem que fechar. Ela é um mal para esse país”. O presidente atribui ao setor o endividamento e a perda de renda, sobretudo entre famílias mais pobres.

Aliados do Planalto também questionaram o equilíbrio da audiência. Dos 34 expositores previstos, ao menos 22 eram contrários à medida provisória, segundo levantamento citado pela imprensa. Após pressão da AGU, Fux incluiu os ministérios da Saúde e da Justiça e a Associação Brasileira de Supermercados, mas entidades de defesa do consumidor continuaram sem espaço. O ministro rebateu: “Não procede a alegação de que só convoquei empresas e times de futebol”.

Do outro lado, os clubes trocaram o debate moral pela planilha. O Flamengo estimou perda de R$ 430 milhões e risco para cerca de 1,2 mil empregos. O Fluminense classificou como “impossível” o prazo de dez dias para adaptação, enquanto o governo sustentou que ganhos econômicos não justificam o sofrimento causado pela dependência.

Os defensores do mercado regulado acrescentaram outro alerta: a proibição não eliminaria as apostas, apenas deslocaria jogadores para plataformas clandestinas. Clubes pediram ao menos uma transição para contratos vigentes e citaram países que preferiram regulação ao banimento integral.

A oposição política, por sua vez, acusa Lula de pressionar o STF e destaca a mudança de rota de um governo que antes regulamentou e tributou o setor. Apesar do confronto, nada foi decidido: Fux levará o caso ao plenário, ainda sem data marcada.

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