Gilmar cobra neutralidade no TSE, e críticos veem pressão sobre Nunes Marques

O decano do STF atribuiu ao colegiado a preservação das regras eleitorais, mas criticou a demora do comando do TSE. Enquanto aliados de Lula apontam favorecimento a Flávio Bolsonaro, críticos acusam Gilmar de pressionar a Corte.
Gilmar cobra neutralidade no TSE, e críticos veem pressão sobre Nunes Marques

Gilmar cobra neutralidade no TSE, e críticos veem pressão sobre Nunes Marques
Gilmar Mendes elevou o tom contra a condução da eleição pelo Tribunal Superior Eleitoral. Sem mencionar Kassio Nunes Marques, o decano do STF afirmou que o presidente do órgão deve adotar a “postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe” e advertiu: “silêncios e hesitações não são neutros”.

O alvo, porém, foi amplamente identificado. Gilmar disse que o colegiado do TSE garantiu uma disputa “dentro das regras do jogo democrático”, mas sustentou que a institucionalidade não deveria precisar ser resgatada a cada eleição. A crítica foi interpretada como uma cobrança direta a Nunes Marques, com quem o ministro já teve divergências públicas.

O episódio central foi a prorrogação da votação. As campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro pediram mais tempo, embora por razões diferentes: o PT citou problemas no transporte público; o PL apontou falta de energia e condições climáticas. Nunes Marques não concedeu imediatamente a liminar e solicitou manifestações do TRE da Bahia e da Procuradoria-Geral Eleitoral. Depois, justificou a cautela pelo caráter inédito da medida e pelos possíveis efeitos técnicos sobre o sistema.

Cristiano Zanin acabou determinando a extensão nacional, válida apenas para urnas ainda abertas. Quase uma hora depois, Nunes orientou os tribunais regionais a manter essas seções funcionando até as 19h. Para Gilmar, a reação colegiada preservou o processo, mas não deveria substituir uma atuação firme da presidência. Já aliados de Lula viram, durante a campanha, sinais de favorecimento a Flávio Bolsonaro por parte de Nunes e do vice-presidente do TSE, André Mendonça.

Do outro lado, comentaristas trataram a manifestação como intimidação. Rodrigo Constantino escreveu que Mendonça deveria “se cuidar”, porque “o regime vai com tudo pra cima dele”. Enio Viterbo classificou a publicação como “mais um tweet absurdo de Gilmar Mendes”. A divergência é clara: Gilmar vê sua fala como defesa institucional; seus críticos, como pressão sobre magistrados.

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