Janones exporta tática digital, mas visita a Cristina e Massa acende alerta diplomático

O deputado aposta na mobilização que ajudou Lula para fortalecer adversários de Milei em 2027. Críticos veem uma estratégia precipitada, enquanto Brasília insiste que a iniciativa é privada.
Janones exporta tática digital, mas visita a Cristina e Massa acende alerta diplomático

Janones exporta tática digital, mas visita a Cristina e Massa acende alerta diplomático
André Janones desembarcou em Buenos Aires com uma receita conhecida: redes sociais, aplicativos de mensagens e mobilização direta. Em reuniões com Cristina Kirchner e Sergio Massa, o deputado defendeu que a experiência brasileira pode ser adaptada à eleição argentina de 2027. “Sim, nós podemos derrotar a extrema direita”, escreveu após encontrar a ex-presidente.

A leitura favorável apresenta a viagem como intercâmbio político. A assessoria de Janones diz que a agenda busca “ampliar o diálogo entre lideranças políticas e fortalecer os valores democráticos e as relações entre Brasil e Argentina”. Para esse campo, técnicas do chamado “Exército de Lula” poderiam ajudar uma oposição que enfrenta alta rejeição a Milei, mas ainda não encontrou unidade entre peronistas e forças de centro.

A avaliação crítica parte justamente dessa fragmentação. A colunista Janaína Figueiredo considera a iniciativa precipitada: Massa teria rejeição elevada, enquanto Cristina perdeu força e enfrenta contestação interna. Axel Kicillof, governador da província de Buenos Aires, seria hoje um adversário mais competitivo contra Milei. A estratégia brasileira, argumenta, não pode ser simplesmente transplantada porque “a Argentina é muito diferente do Brasil”.

Brasília procura separar as coisas. Integrantes do governo Lula classificaram a viagem como iniciativa exclusivamente privada e disseram que os marqueteiros Rafael Marroquim e Chico Kertész, embora tenham trabalhado na campanha presidencial brasileira, não foram enviados pelo Planalto. Já o chanceler argentino, Pablo Quirino, respondeu com ironia: “Más cantado que Despacito”.

Veículos e perfis alinhados à oposição brasileira enfatizaram a condenação de Cristina e acusaram Janones de interferir na política argentina. Um post de Leandro Ruschel atacou o deputado e criticou a promessa de apoio eleitoral. Janones, por sua vez, sustenta que o objetivo é mais amplo: “varrer a extrema direita do cenário mundial”.

O contraste é claro: para Janones, trata-se de cooperação política; para os críticos, de uma aposta arriscada em lideranças desgastadas. No meio, Lula tenta evitar que uma missão parlamentar vire mais um capítulo da tensão com Milei.

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