Pyongyang nega megafurto na Binance, mas especialistas apontam uma operação sem precedentes

A Coreia do Norte acusa Washington de politizar o ataque de US$ 6,3 bilhões, enquanto investigadores e analistas rastreiam os ativos. A Binance promete ressarcimento integral aos clientes.
Pyongyang nega megafurto na Binance, mas especialistas apontam uma operação sem precedentes

Pyongyang nega megafurto na Binance, mas especialistas apontam uma operação sem precedentes
A Coreia do Norte rejeitou qualquer participação no roubo de US$ 6,3 bilhões em criptoativos da Binance. Kim Yo-jong, irmã do líder Kim Jong-un e dirigente do partido governista, chamou a conclusão do FBI de “grave provocação política” e acusou os Estados Unidos de tratarem crimes cibernéticos ocorridos em diferentes países como obra de Pyongyang. O presidente americano, Donald Trump, adotou posição mais cautelosa: “Não sabemos se foi a Coreia do Norte”.

O FBI sustenta uma versão oposta. A agência atribuiu o ataque ao TraderTraitor, grupo apontado como ligado à Coreia do Norte e também responsabilizado pelo roubo de US$ 1,5 bilhão da Bybit em 2025. Especialistas dizem que hackers norte-coreanos estão entre os mais ativos no mercado de criptoativos e que os recursos ajudariam a financiar programas militares. Para o professor Lim Eul-chul, as acusações podem abrir caminho para novas medidas contra carteiras digitais, redes de lavagem e corretoras usadas para movimentar dinheiro.

As cifras reforçam a pressão sobre Pyongyang, embora não substituam provas específicas sobre a autoria do ataque. A Elliptic estima que grupos ligados ao país tenham roubado US$ 7,6 bilhões em criptomoedas em 2026. Já a Chainalysis calcula que 89% das perdas causadas por invasões no setor naquele ano tiveram alguma conexão com a Coreia do Norte, ante 15% em 2021.

Enquanto governos disputam a narrativa, a Binance concentra-se na reparação. A corretora reabriu os saques e afirma ter reunido US$ 6 bilhões entre caixa próprio, seguro e reservas de emergência. Segundo o co-CEO Richard Tang, 95% dos ativos afetados já foram repostos: “Isso é algo que podemos cobrir. Temos condições de fazer isso”. O desafio seguinte será rastrear os tokens em blockchains públicas, numa operação que especialistas avaliam poder durar meses ou até anos.

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