Saúde ou futebol: STF pesa banimento das bets contra rombo nos clubes

Fux e o governo veem as apostas como ameaça à saúde pública; clubes dizem que o corte abrupto de patrocínios coloca contratos, receitas e empregos em risco.
Saúde ou futebol: STF pesa banimento das bets contra rombo nos clubes

Saúde ou futebol: STF pesa banimento das bets contra rombo nos clubes
A audiência pública convocada pelo ministro Luiz Fux colocou frente a frente duas urgências: conter os danos sociais das apostas on-line e preservar uma cadeia esportiva que passou a depender de seu dinheiro.

Fux entrou no debate com posição definida. Relator das ações contra a medida provisória do governo, afirmou ter se convencido de que a ludopatia “é um problema de saúde pública, é um problema econômico” e deveria ser retirada do esporte nacional. Ainda assim, reconheceu que o STF terá de examinar a segurança jurídica e poderá estabelecer prazos ou condições para a aplicação de uma eventual decisão.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi mais incisivo. Segundo os dados apresentados por ele, 28 milhões de brasileiros apostaram no último ano e 11 milhões exibiram padrões de risco ou comportamento problemático. “A minha briga são as pessoas que se suicidam”, declarou, ao sustentar que a dependência eleva em 15 vezes o risco de suicídio.

Os clubes não negaram o impacto sanitário, mas contestaram a velocidade da proibição. O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, pediu uma “ponderação entre dramas”: o das famílias endividadas e o dos trabalhadores ameaçados pelo desemprego. Já o Flamengo estimou perda anual de R$ 430 milhões e alertou que seus 1.200 empregados poderão ser afetados.

A mesma preocupação apareceu nas falas de Botafogo, Cruzeiro, São Paulo e Corinthians. Os representantes alegaram que contratos foram assinados sob regras válidas e que dez dias seriam insuficientes para reorganizar as finanças. Também advertiram que plataformas clandestinas e clubes estrangeiros continuariam fora do alcance da proibição brasileira.

A dimensão familiar reforçou o campo favorável ao banimento. Janja entregou a Fux um relatório sobre os efeitos das bets entre brasileiras e afirmou que o vício “adoece toda a família, principalmente as mulheres”. O impasse, portanto, não é sobre a existência do dano, mas sobre a resposta: proibição imediata, como defendem governo e Fux, ou uma transição que limite o choque econômico, como pedem os clubes.

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