Falsa entrevista abre brecha bilionária na Binance, mas autoria do ataque vira disputa
Falsa entrevista abre brecha bilionária na Binance, mas autoria do ataque vira disputa
O roubo de US$ 6,3 bilhões em criptoativos da Binance começou meses antes de o dinheiro desaparecer. Segundo a corretora, um funcionário baixou em junho uma ferramenta de inteligência artificial adulterada. Embora o dispositivo tenha sido substituído e as credenciais alteradas, informações sobre a equipe responsável pelas carteiras ficaram expostas aos invasores.
A segunda brecha combinou ambição profissional e engenharia social. Em setembro, um engenheiro à procura de emprego participou de uma suposta entrevista — com direito a reunião virtual com o executivo-chefe de uma empresa fictícia — e baixou um repositório de código malicioso. Em outubro, os hackers teriam usado computadores comprometidos, credenciais roubadas e uma ferramenta interna de IA para assumir sistemas e executar o ataque. “Isso não deveria ter acontecido”, reconheceu a Binance, ao pedir desculpas pela “preocupação, pelos transtornos e pela incerteza”.
A empresa diz que reembolsará integralmente os clientes afetados. Para reunir US$ 6 bilhões, recorreu ao próprio caixa, a um fundo de seguro e a uma reserva para incidentes de segurança. Também promete ampliar a detecção baseada em IA — a mesma tecnologia que, segundo seu relatório, foi explorada durante a invasão.
A explicação técnica, porém, não encerra a disputa política. O FBI atribuiu o crime ao TraderTraitor, grupo apontado pelos Estados Unidos como norte-coreano e anteriormente acusado do roubo de US$ 1,5 bilhão da Bybit. Pyongyang nega qualquer ligação. Kim Yo-jong classificou a alegação como “retórica absurda” e “grave provocação política”, acusando Washington de induzir o público a associar à Coreia do Norte crimes cibernéticos cometidos em diferentes partes do mundo.
De um lado, investigadores americanos descrevem um padrão de operações ligado ao regime norte-coreano. Do outro, o governo norte-coreano denuncia uma campanha de rotulagem política. No centro do confronto está a Binance: responsável por explicar como tantas barreiras falharam — e por devolver aos clientes o dinheiro perdido.
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