Pró-governo diz que vitória democrata no Kansas expõe duro revés para Trump
Pró-governo diz que vitória democrata no Kansas expõe duro revés para Trump
O democrata Adam Hamilton conquistou uma cadeira do Kansas no Senado dos Estados Unidos ao obter 51,9% dos votos, contra 45,2% do republicano Roger Marshall. Pastor metodista e líder da maior igreja do estado, Hamilton apostou em um perfil centrista para encerrar uma sequência que atravessava gerações: nenhum democrata vencia uma eleição senatorial no Kansas desde 1932.
O resultado contrasta com o histórico recente do estado. Em 2024, Donald Trump havia vencido ali por 16 pontos percentuais. Hamilton, porém, explorou a insatisfação econômica — sobretudo entre agricultores — e superou Marshall também na capacidade financeira da campanha: os democratas investiram US$ 18,3 milhões a mais na disputa.
Republicanos tentaram deslocar o debate para posições consideradas vulneráveis no eleitorado conservador, como o apoio de Hamilton ao Black Lives Matter e à criação de um caminho para a cidadania de imigrantes sem documentação. Marshall, por sua vez, enfrentou desgaste após reportagens revelarem que havia processado mais de 700 pacientes por dívidas médicas. Ele argumentou que as ações eram necessárias para manter suas “atividades privadas” em “áreas rurais”.
Trump entrou diretamente na reta final. Depois de idas e vindas na agenda, participou de um comício e pediu aos eleitores que tratassem a eleição como se ele próprio concorresse. “Quero muito que vocês imaginem que meu nome está na cédula”, afirmou. Com a derrota consumada, mudou o tom nas redes sociais: “Eu não estava na cédula e, se eu tivesse, teríamos ganhado de lavada.”
As duas leituras convergem sobre um ponto: a eleição deixou de ser apenas local. Para Hamilton, foi uma vitória construída sobre moderação e economia; para Trump, tornou-se um teste nacional de mobilização. O Kansas respondeu rompendo um tabu de 94 anos.
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