Cancelamento de Jorge & Mateus vira disputa sobre união e boicote político
Cancelamento de Jorge & Mateus vira disputa sobre união e boicote político
As prefeituras de Recife e Fortaleza cancelaram apresentações de Jorge & Mateus após a reação ao apoio de Jorge a Flávio Bolsonaro. O estopim foi um vídeo de campanha no qual o cantor declarou: “Pode chorar, mas eu não voto no PT”.
As duas gestões apresentam a decisão como uma tentativa de proteger o caráter festivo dos eventos — não como punição ideológica. No Recife, Victor Marques (PCdoB) afirmou que “não há mais clima” para manter a dupla na programação, defendendo que o fim do ano deve ser marcado por “união, unidade” e “fraternidade”. Em Fortaleza, Evandro Leitão (PT) disse que a polêmica desviou a atenção do objetivo de realizar uma grande festa popular e sustentou que o contrato foi encerrado “de forma absolutamente legal”.
A cobertura de oposição, porém, lança outra pergunta: trata-se de gestão de crise ou boicote político? Segundo esse relato, Fortaleza informou que o rompimento ocorreu “em comum acordo” com os artistas, por causa de questões que “desviaram o foco da proposta central do evento”, sem detalhá-las. A proximidade entre o cancelamento e a manifestação contra o PT alimentou a suspeita de retaliação.
Há também uma diferença de cronologia entre as versões. Enquanto uma reportagem registrou o cancelamento nas duas capitais, a cobertura de oposição relatava que, naquele momento, o prefeito do Recife ainda não havia anunciado formalmente a retirada. Marques apenas evocara a fala de Lula de que “o Brasil precisa superar as divisões, não aprofundá-las”.
Os lados convergem num ponto: a contratação deixou de ser apenas uma escolha artística. Para as prefeituras, a repercussão ameaçava engolir a festa; para a oposição, ceder à pressão pode transformar preferência política em critério para subir — ou não — ao palco.
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