Onda democrata toma o Congresso, mas Trump prepara a caneta do veto
Onda democrata toma o Congresso, mas Trump prepara a caneta do veto
Os democratas conquistaram a Câmara e o Senado, impondo a Donald Trump um governo dividido. Com a apuração ainda em andamento, o partido alcançou 228 das 435 cadeiras da Câmara e 54 das 100 vagas do Senado — margens suficientes para controlar a agenda legislativa a partir de janeiro.
A oposição interpreta o resultado como muito mais que uma troca de comando. Barack Obama afirmou que os eleitores querem “uma política que una as pessoas em vez de as dividir” e pediu ao partido que trabalhe para “evitar maiores danos” da atual gestão. Nancy Pelosi, por sua vez, defendeu reduzir custos, proteger programas sociais e “responsabilizar o governo Trump”.
Trump adotou uma leitura diferente. Embora tenha parabenizado os adversários — “Eles fizeram um bom trabalho” —, disse não considerar o resultado uma crítica pessoal. O presidente atribuiu parte do desgaste à guerra contra o Irã e à alta da gasolina, além de sustentar que os republicanos teriam vencido caso seu nome estivesse nas cédulas.
Entre comentaristas associados à direita, a derrota também foi apresentada como parte do sistema de contrapesos americano. Ana Paula Henkel descreveu a onda democrata como “a magia americana acontecendo”, argumentando que nenhum partido deve ficar confortável no poder.
O contraste agora migra da campanha para Washington. Os democratas poderão abrir investigações, pressionar o orçamento e bloquear indicados presidenciais. Trump, porém, conserva uma arma decisiva: o veto, que só pode ser derrubado por dois terços das duas Casas. Antes mesmo da votação, ele já antecipava o confronto: “Acho que vou me tornar o Sr. Veto”. A onda azul mudou o equilíbrio — mas não eliminou o impasse.
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