Colapso do Ueno trava milhões e encurrala o governo Peña
Colapso do Ueno trava milhões e encurrala o governo Peña
A intervenção no Ueno Bank começou como emergência bancária, mas rapidamente alcançou o centro do poder em Assunção. Após inspeções apontarem que o índice de adequação de capital havia caído para menos de 50% do mínimo regulatório, serviços foram suspensos e milhões de clientes ficaram sem acesso imediato ao dinheiro. O banco também administrava entre US$ 800 milhões e US$ 850 milhões em recursos públicos, segundo relato sobre a crise.
A resposta oficial procura separar o colapso do restante do sistema. Reguladores classificaram o episódio como um “caso isolado”, descartaram efeito de contágio e asseguraram proteção para depósitos de até 228 milhões de guaranis por cliente. O presidente Santiago Peña também apoiou o uso do Fundo de Garantia de Depósitos para acelerar pagamentos e pediu a saída do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo.
Esse discurso de contenção contrasta com a leitura da oposição. Deputados oposicionistas e dissidentes do Partido Colorado começaram a reunir assinaturas para um pedido de impeachment contra Peña e o vice, Pedro Alliana. Eles questionam possíveis conflitos de interesses, a fiscalização do banco e a concentração de dinheiro previdenciário na instituição. O Ueno pertence a um grupo ligado a um antigo sócio comercial de Peña, mas essa relação, por si só, não comprova participação presidencial em irregularidades; Peña rejeita favorecimento.
Nas ruas, porém, a distinção entre crise financeira e crise política praticamente desapareceu. Correntistas, trabalhadores e aposentados protestaram pela liberação dos valores, enquanto a exposição do Instituto de Previsión Social — estimada em cerca de US$ 355 milhões — ampliou a pressão sobre o governo.
A investigação criminal abre uma terceira frente. Oito dirigentes e executivos foram detidos preventivamente, sob suspeitas que incluem lesão de confiança e falhas na manutenção de registros contábeis. “Estamos analisando os fatos com base nessas figuras jurídicas”, afirmou a promotora Nancy Salomón, ressaltando que diligências permaneciam sob sigilo. Entre garantias oficiais e acusações políticas, a pergunta decisiva continua sem resposta: quando — e quanto — os correntistas conseguirão recuperar.
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