Pró-governo diz que Selic a 13,75% sufoca a economia enquanto BC prega cautela
Pró-governo diz que Selic a 13,75% sufoca a economia enquanto BC prega cautela
O Copom manteve, por unanimidade, a Selic em 13,75% ao ano e encerrou uma sequência de cinco cortes de 0,25 ponto percentual iniciada em março. A decisão veio após o mercado elevar projeções para inflação e câmbio e reduzir a expectativa de crescimento depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
Na defesa da pausa, o Banco Central citou expectativas de inflação mais altas, desaceleração econômica e incertezas externas. O cenário, afirmou, exige “serenidade e cautela”, com atenção especial à desancoragem das expectativas e aos efeitos da política fiscal sobre os ativos. Economistas ouvidos pelo UOL endossaram parte desse diagnóstico: José Júlio Senna classificou a manutenção como “a única decisão cabível”, enquanto outros analistas destacaram câmbio depreciado, risco fiscal e inflação projetada como barreiras à retomada imediata dos cortes.
Do outro lado, o setor produtivo considera que a cautela virou excesso. A CNI chamou a decisão de conservadora e sustentou que seria possível reduzir os juros sem abandonar a convergência da inflação, evitando “um custo maior do que o necessário” para empresas e famílias. A Fiesp foi além: Paulo Skaf afirmou que crédito empresarial próximo de 30% ao ano “inviabiliza investimentos” e cobrou uma readequação simultânea das políticas monetária e fiscal.
A crítica política foi mais dura. Lindbergh Farias acusou o mercado de usar os juros como pressão após a eleição e disse que trabalhadores, empresas e contas públicas pagam a conta enquanto “o rentismo segue lucrando”. Talíria Petrone também enfatizou o impacto distributivo: juros elevados encarecem o crédito, desestimulam investimentos e podem atingir emprego e renda, ao mesmo tempo que ampliam retornos da renda fixa.
Para investidores, porém, a mesma Selic que penaliza ações de setores cíclicos mantém títulos pós-fixados e indexados à inflação atraentes. O contraste resume o impasse: proteção financeira de um lado, crédito caro e menor dinamismo econômico do outro.
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