Peña chama crise do Ueno de caso isolado, mas oposição mira impeachment

O governo promete ressarcir poupadores e punir responsáveis, enquanto opositores relacionam o colapso do banco aos vínculos políticos de Santiago Peña e cobram sua saída.
Peña chama crise do Ueno de caso isolado, mas oposição mira impeachment

Peña chama crise do Ueno de caso isolado, mas oposição mira impeachment
A queda do Ueno Bank abriu duas crises simultâneas no Paraguai. De um lado, o Banco Central procura preservar a confiança no sistema: afirma que os problemas da instituição constituem “um caso isolado” e não representam condições generalizadas no setor financeiro. A autoridade fechou o banco, prometeu garantir depósitos de até cerca de US$ 38 mil por cliente e fixou prazo de até 15 dias para os pagamentos — demora que provocou revolta entre correntistas.

O presidente Santiago Peña adotou a mesma linha de contenção, mas acrescentou uma resposta política. Pediu a renúncia de Carlos Carvallo, chefe do Banco Central, e defendeu uma lei para acelerar o uso do Fundo de Garantia e recuperar recursos públicos. “Este é um caso particular de uma entidade, não do sistema financeiro nacional”, escreveu Peña, prometendo responsabilização “sem exceções e sem privilégios”.

A oposição enxerga justamente o contrário: não um episódio isolado, mas uma falha de supervisão atravessada por vínculos políticos. Peña foi investidor da holding ligada ao Ueno até março de 2025, enquanto Carvallo havia comandado a financeira antes de ela se tornar banco. Deputados começaram a recolher assinaturas para um pedido de impeachment, citando também os cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos mantidos na instituição.

Nas ruas, a disputa é menos abstrata. Centenas de pessoas protestaram em Assunção exigindo restituição integral. “O Estado deve garantir 100% dos recursos”, diziam cartazes. Um aposentado de 68 anos resumiu o impacto: “Só tenho 8 mil guaranis. Todos deveriam ir para a prisão”.

Governo e oposição concordam apenas em dois pontos: os depositantes precisam receber e os responsáveis devem enfrentar a Justiça. A ruptura está na responsabilidade política — Peña tenta limitar o dano ao banco; seus adversários dizem que a crise já chegou ao palácio presidencial.

https://resumosbrasil.com/stories/01a1a8e8-8819-2270-7154-0e4eb21c44c4

Write a comment