Apoio a Flávio Bolsonaro tira Jorge e Mateus de dois réveillons e acirra disputa política

Recife e Fortaleza alegam que a controvérsia comprometeu o clima das festas; Jorge nega ataques ao Nordeste, enquanto apoiadores de Flávio veem o episódio sob a lente da polarização eleitoral.
Apoio a Flávio Bolsonaro tira Jorge e Mateus de dois réveillons e acirra disputa política

Apoio a Flávio Bolsonaro tira Jorge e Mateus de dois réveillons e acirra disputa política
As prefeituras de Recife e Fortaleza cancelaram as apresentações de Jorge e Mateus em seus réveillons após voltar a circular um vídeo no qual Jorge declara apoio a Flávio Bolsonaro e canta: “Pode chorar, mas não voto no PT”. Segundo as administrações, a medida buscou preservar o caráter festivo dos eventos, sem custos aos cofres públicos, já que os cachês seriam pagos por parceiros privados.

Os gestores rejeitam a ideia de punição partidária. No Recife, o prefeito Victor Marques afirmou que “não há mais clima” para manter a dupla e defendeu uma virada marcada por “alegria, respeito e harmonia”. Em Fortaleza, Evandro Leitão disse que a polêmica desviou o foco do objetivo de realizar uma grande festa popular e que o contrato foi encerrado legalmente, em acordo com os artistas.

Jorge apresenta outra leitura. O cantor sustenta que seu apoio eleitoral é individual, não envolve Mateus, e nega as mensagens ofensivas contra nordestinos atribuídas a ele nas redes. “Nunca fiz essas declarações e jamais me referiria dessa forma a uma região pela qual tenho tanto carinho, admiração e respeito”, afirmou. As próprias prefeituras disseram não ter encontrado vídeos que comprovassem as supostas ofensas; o cancelamento teria sido motivado pela reação pública à contratação.

A controvérsia ganha peso porque ocorre diante de uma disputa presidencial apertada. Pesquisa BTG/Nexus citada por uma das fontes mostra Lula com 46% e Flávio Bolsonaro com 45% em eventual segundo turno, empate dentro da margem de erro. O levantamento descreve bases eleitorais coesas e pouco espaço para uma alternativa fora da polarização.

Entre apoiadores de Flávio, porém, até o empate é interpretado como sinal de vantagem: Leandro Ruschel escreveu que, se as pesquisas apontam igualdade, “Flávio deve estar à frente”. De um lado, as prefeituras invocam harmonia; do outro, artista e aliados políticos enxergam liberdade de posicionamento sob pressão. O palco foi desmontado, mas a campanha já começou.

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