Oposição diz que dívida de R$ 1,5 bilhão empurra Aeris para recuperação extrajudicial

Fabricante de pás eólicas tenta ganhar fôlego com credores enquanto acumula prejuízos, capital de giro negativo e dívida líquida próxima de R$ 2 bilhões. A continuidade das operações depende agora do avanço do acordo.
Oposição diz que dívida de R$ 1,5 bilhão empurra Aeris para recuperação extrajudicial

Oposição diz que dívida de R$ 1,5 bilhão empurra Aeris para recuperação extrajudicial
A Aeris Energy recorreu à recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 1,5 bilhão e reorganizar suas finanças sem interromper a produção de pás para turbinas eólicas. A empresa sustenta que a medida permitirá “reduzir o endividamento e garantir a continuidade das operações”, preservando empregos, arrecadação e relações comerciais.

Essa promessa contrasta com um balanço pressionado. A fabricante acumula 16 trimestres consecutivos de prejuízo e encerrou junho de 2026 com dívida líquida de aproximadamente R$ 1,9 bilhão. Apenas no segundo trimestre, o resultado negativo chegou a R$ 152 milhões, sob o peso de despesas operacionais, juros e outros encargos financeiros.

Outra apuração dimensiona o aperto por um ângulo ainda mais amplo: o prejuízo do primeiro semestre cresceu 15,4%, de R$ 251,2 milhões em 2025 para R$ 290 milhões em 2026. O capital de giro estava negativo em R$ 383 milhões, sinal de dificuldade para honrar compromissos de curto prazo, apesar da garantia de que as operações seguirão normalmente.

Há também uma divergência entre os relatos sobre a data do protocolo — um aponta 4 de novembro, enquanto outro registra o dia 3. Ambos, contudo, convergem no essencial: o plano chegou à Justiça com apoio de credores que representam 42,18% dos créditos abrangidos, acima do mínimo de um terço exigido para abrir o procedimento.

Agora começa a etapa decisiva. A Aeris terá 90 dias para obter a adesão de titulares de mais da metade dos créditos de cada categoria incluída. Se alcançar esse patamar e cumprir os requisitos legais, o acordo poderá vincular até credores que não o aprovaram. Depois de uma renegociação anterior de cerca de 90% da dívida, em 2025, o novo pedido mostra que o alívio não foi suficiente — e que a continuidade prometida depende de uma adesão bem maior.

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