Selic trava em 13,75% e abre disputa sobre quem paga a conta
Selic trava em 13,75% e abre disputa sobre quem paga a conta
O Copom interrompeu uma sequência de cinco cortes e manteve, por unanimidade, a Selic em 13,75% ao ano. A justificativa combina pressões inflacionárias, expectativas deterioradas e um ambiente externo adverso. A inflação acumulada em 12 meses até setembro chegou a 4,58%, ligeiramente acima do teto de 4,5% da meta.
Na leitura do Banco Central, pausar os cortes é uma forma de evitar que a alta de preços ganhe novo impulso. O colegiado afirmou que o cenário reúne Selic “substancialmente contracionista”, incertezas maiores, expectativas de inflação elevadas e desaceleração doméstica mais intensa — combinação que exigiria “serenidade e cautela”.
É justamente aí que os críticos veem uma contradição. Se a atividade já perde força, argumentam, manter o dinheiro caro aprofunda o aperto sobre famílias e empresas. Empréstimos, financiamentos e capital para pequenos negócios continuam mais custosos, enquanto consumo e investimentos produtivos tendem a perder impulso.
Roberto Requião levou a crítica para o terreno político. Para o ex-governador do Paraná, “a pressão em cima do governo federal para que seja mantida a política do tripé econômico e dos juros absurdos na Selic é brutal”. Parlamentares como Lindbergh Farias e Talíria Petrone, além de representantes da Força Sindical, da CNI e da Fiesp, também manifestaram insatisfação com a decisão.
As posições partem de diagnósticos diferentes, mas reconhecem o mesmo dilema: a inflação segue acima do desejado ao mesmo tempo que a economia desacelera. Para o BC, isso recomenda prudência. Para os críticos, revela o custo excessivo da estratégia. Sem sinalização sobre quando os cortes serão retomados, a disputa agora se desloca para a última reunião do ano, prevista para 8 e 9 de dezembro.
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