Ueno afunda, e crise bancária encurrala o governo Peña
Ueno afunda, e crise bancária encurrala o governo Peña
A intervenção no Ueno Bank abriu duas crises simultâneas no Paraguai. De um lado, autoridades apresentam uma resposta rápida: oito pessoas ligadas ao banco e ao Grupo Vázquez foram presas preventivamente, enquanto o Ministério Público investiga possíveis crimes como lesão de confiança e falhas na manutenção de registros contábeis. “Estamos analisando os fatos com base nessas figuras jurídicas”, afirmou a promotora Nancy Salomón, que recebeu do Banco Central um documento de 200 páginas sobre o caso.
Do outro, a oposição concentra o foco nas conexões políticas e na supervisão estatal. O Ueno, com cerca de 3 milhões de clientes, teve os serviços fechados depois que sua solvência caiu para menos de 50% do mínimo exigido. Carlos Carvallo deixou a presidência do Banco Central — ele havia comandado o próprio banco até 2023 —, acompanhado por dois diretores. A pressão chegou a Santiago Peña, que foi investidor da holding controladora até março de 2025; deputados oposicionistas passaram a buscar assinaturas para um pedido de impeachment. Nas ruas, manifestantes resumiram a cobrança: “O Estado deve garantir 100% dos recursos”.
O governo e seus críticos concordam sobre a gravidade imediata, mas divergem quanto ao alcance do desastre. O Banco Central sustenta que o episódio é isolado, afirma que o restante do sistema permanece saudável e calcula que 97% dos correntistas estão cobertos pelo fundo garantidor, até aproximadamente US$ 37,4 mil por cliente. A devolução, porém, pode levar 15 dias.
Para famílias e comerciantes, esse prazo é o centro da crise. O Ueno processava cerca de dois terços dos pagamentos eletrônicos das grandes redes, e a interrupção teria travado quase 70% das vendas. Mais de 32 mil aposentados também dependiam do banco para receber benefícios, enquanto centenas de milhões de dólares em recursos previdenciários ficaram retidos. A versão oficial promete contenção; a leitura oposicionista aponta uma falha política e financeira muito mais profunda.
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