Pró-governo diz que Wegovy em comprimido amplia opções, mas acesso ainda é incógnita
Pró-governo diz que Wegovy em comprimido amplia opções, mas acesso ainda é incógnita
A aprovação do Wegovy em comprimido pela Anvisa abre uma nova frente no tratamento da obesidade no Brasil, mas não significa chegada imediata às farmácias. Primeiro agonista de GLP-1 oral autorizado no país para obesidade e sobrepeso, o medicamento ainda precisa ter seu preço máximo definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A Novo Nordisk prevê o lançamento apenas “nos próximos trimestres”.
De um lado, a versão oral oferece conveniência: contém a mesma semaglutida da caneta, mas é tomada diariamente e dispensa refrigeração. Para a endocrinologista Cynthia Valério, presidente eleita da Abeso, a novidade “representa uma nova ferramenta” capaz de ampliar as opções para diferentes perfis de pacientes. Pode favorecer quem evita injeções, viaja com frequência ou prefere um comprimido diário à aplicação semanal.
Do outro, a facilidade tem limites. O remédio deve ser ingerido em jejum, com pouca água, seguido de espera mínima de 30 minutos antes de alimentos, bebidas ou outros medicamentos. Sem essa rotina, alerta Valério, pode haver “desperdício de energia, de dinheiro, de tempo do paciente sem que haja boa resposta”.
Os resultados clínicos reforçam tanto o potencial quanto as ressalvas. No estudo OASIS 4, com 307 adultos, a perda média de peso após 64 semanas foi de 13,6% com o comprimido, ante 2,2% com placebo. Em contrapartida, náusea, diarreia e outros efeitos gastrointestinais atingiram 74% dos participantes tratados, contra 42% no grupo de controle.
A questão decisiva será o acesso. Sem preço ou data confirmados, a aprovação permanece mais regulatória do que prática. Como resume Valério, “o nosso maior desafio hoje é a adesão de longo prazo e a perda de peso sustentada” — uma barreira que conveniência, sozinha, não elimina.
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