Pró-governo diz que renúncia de Peña protege o Paraguai, mas oposição aponta conflito de interesses

Peña apresenta a saída como gesto de estabilidade após o colapso do Ueno Bank. Adversários atribuem a crise ao governo, enquanto a sucessão por Pedro Alliana também enfrenta incerteza.
Pró-governo diz que renúncia de Peña protege o Paraguai, mas oposição aponta conflito de interesses

Pró-governo diz que renúncia de Peña protege o Paraguai, mas oposição aponta conflito de interesses
Santiago Peña tentou enquadrar sua renúncia como uma escolha institucional, não como admissão de responsabilidade pelo colapso do Ueno Bank. “Nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”, afirmou, ao pedir desculpas e defender a proteção das economias dos clientes e dos recursos públicos.

A oposição oferece uma leitura bem diferente: para seus deputados, a saída foi imposta pelo isolamento político de Peña e pela proximidade que ele manteve com o grupo controlador do banco. A deputada Rocío Vallejo acusou o presidente de ser “a origem desse monstro”, enquanto todas as bancadas da Câmara anunciavam apoio ao impeachment.

No centro da disputa está uma crise de escala nacional. O Ueno tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, inclusive recursos previdenciários. A liquidação ocorreu após a identificação de insuficiência de caixa ligada a empréstimos concedidos a empresas do próprio grupo controlador.

Peña havia sido acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até março de 2025. Integrantes da oposição o acusam de conflito de interesses, uso indevido de fundos de pensão e acobertamento institucional; já o presidente, ao deixar o cargo, evitou assumir culpa direta e disse esperar que os responsáveis respondam à Justiça.

A renúncia, porém, ainda depende da aprovação do Congresso. Se aceita, Peña deixa o Palácio dos López sem ser destituído e passa a ter direito ao posto de senador vitalício previsto para ex-presidentes.

A Constituição aponta o vice Pedro Alliana como sucessor. Mas a troca não encerra automaticamente a turbulência: aliado de Peña e também integrante do Partido Colorado, Alliana aparece no mesmo pedido de impeachment. A saída apresentada pelo governo como proteção à democracia pode, portanto, apenas transferir a crise para o próximo ocupante do cargo.

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