R$ 3,48 bilhões na mira: bets teriam escondido dinheiro até em clínica e loja de tarô

A Operação Azzardo investiga uma rede que teria camuflado pagamentos de apostas ilegais em empresas sem ligação com o setor. Embora partam de campos distintos, os relatos convergem sobre o papel do Ministério da Fazenda e o uso de criptoativos.
R$ 3,48 bilhões na mira: bets teriam escondido dinheiro até em clínica e loja de tarô

R$ 3,48 bilhões na mira: bets teriam escondido dinheiro até em clínica e loja de tarô
A Operação Azzardo colocou sob suspeita uma engrenagem financeira que, segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, usava negócios sem relação com apostas para receber e redistribuir dinheiro de plataformas clandestinas. Os relatos de oposição e pró-governo pouco divergem nos fatos centrais; a diferença está sobretudo no foco político e institucional.

Na cobertura da oposição, ganha destaque a dimensão da rede: as plataformas teriam movimentado mais de R$ 700 milhões, enquanto a Justiça autorizou bloqueios de até R$ 3,483 bilhões contra 64 pessoas físicas e 120 empresas. Pagamentos teriam sido direcionados até a uma clínica de assistência psicossocial e a uma loja de tarô. A apuração aponta o uso de “dezenas de empresas de fachada para receber pagamentos, concentrar recursos e redistribuí-los”, inclusive por meio de criptoativos.

Já a cobertura pró-governo enfatiza a origem da investigação, iniciada após um alerta da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda sobre plataformas sem autorização federal. Também ressalta que o caso começou antes da medida provisória que proibiu essas operações. A polícia afirma que os valores percorriam diferentes contas, dificultando a identificação da origem e dos beneficiários finais.

Outro ponto comum é a fintech A55 Sociedade de Crédito. Segundo a investigação, cobranças via Pix levavam a contas de empresas suspeitas mantidas na instituição; a fintech e companhias do mesmo grupo teriam movimentado cerca de R$ 1 bilhão. A ação, porém, preservou recursos de clientes não investigados.

Cerca de 200 policiais foram mobilizados em seis unidades da Federação. As equipes procuram documentos, computadores, celulares e registros de criptoativos para rastrear o fluxo financeiro e identificar os responsáveis. Não houve mandados de prisão, e os nomes dos investigados não foram divulgados.

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