Motta chega a 361 apoios, mas PL ameaça quebrar o consenso na Câmara
Motta chega a 361 apoios, mas PL ameaça quebrar o consenso na Câmara
O apoio do União Brasil transformou a vantagem de Hugo Motta (Republicanos-PB) em uma demonstração de força: sua candidatura à reeleição para a presidência da Câmara agora reúne 15 partidos e 361 deputados potenciais — 104 votos além dos 257 necessários no primeiro turno.
Ao anunciar a adesão, o líder do União na Câmara, Pedro Lucas Fernandes (MA), vinculou a legenda diretamente ao projeto político do atual presidente da Casa. “O nosso campo político está aqui nas ideias que o Hugo Motta representa”, afirmou. Em outra definição, disse que a gestão de Motta “dá valor ao centro do equilíbrio e das propostas”.
Esse “centro”, porém, é uma coalizão ampla e heterogênea. A aliança inclui partidos do Centrão, siglas de esquerda e legendas que estiveram em lados opostos na eleição presidencial. O cálculo sugere uma vitória confortável, mas não garante fidelidade: a votação de 1º de fevereiro de 2027 será secreta.
A principal incógnita é o PL. Embora tenha eleito a maior bancada individual, com 121 deputados, o partido não consegue eleger sozinho o presidente da Câmara. O líder Sóstenes Cavalcante (RJ) disse que ouvirá parlamentares atuais e recém-eleitos antes da decisão: “A gente precisa ouvir todo mundo”. Parte da resistência decorre da aproximação de Motta com o governo Lula; ao mesmo tempo, uma candidatura adversária pode deixar o PL fora de negociações sobre a Mesa Diretora, comissões e emendas.
Enquanto o União apresenta a recondução como caminho de pacificação e influência, o PL pesa identidade eleitoral contra espaço institucional. Já o Novo rejeita esse cálculo: descartou apoiar Motta e pretende lançar candidatura própria, possivelmente com Kim Kataguiri (SP). Assim, Motta já tem uma maioria no papel — mas seus adversários ainda podem usar a disputa para marcar posição.
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